“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas!” foi escrito por Antonie de Saint-Exupéry por volta da década de 40. “Que seu afeto me afetou é fato. Agora faça-me um favor” foi escrito por Fernando Anitelli, provavelmente no final da década de 90, começo dos anos 2000. O que ambos tem em comum? Ora, tudo! O que muda é a forma de se fazer poesia.
Palavras diferentes são usadas a todo momento para significar a mesma coisa, ao mesmo tempo que palavras idênticas podem significar caminhos tão distintos que chega a parecer piada, um trocadilho. Neste ponto o texto pode estar parecendo muito vago e até mesmo confuso para você, mas vamos organizar as coisas; Quantas pessoas tu cativou ultimamente? E antigamente? Ainda é responsável por elas? Responsabilidade tem prazo de validade? E amizade? Amor? Quantas pessoas tem recebido seu afeto? Quantas o merecem realmente? Essas são as mesmas pessoas? Você deve favores? Perguntas e mais perguntas, se esperas no final deste texto encontrar as respostas, devo avisá-lo desde já: Pare de ler!
Perdemos tempo o tempo todo. Ser politicamente correto, ser ético, um cidadão respeitável é muito trabalhoso. Trabalhamos, estudamos e depois nos damos ao direito da diversão alegando merecimento. Nossas responsabilidades ficam limitadas a nossas obrigações, mas veja bem, se sou responsável por aquilo que cativo e minhas responsabilidades são minhas obrigações... sou obrigada a cativar? Sim. É a lei da vida. É o que acontece com uma convivência que envolve carinho e preocupação.
Acontece quase sem querer na maioria dos casos. Uma luz diferente reflete em seus olhos e pronto, cativou. Seus braços servem de apoio em um escorregão e lá se vai mais um. Seus ombros e sua camiseta nova, que custou quase um mês de esforço podem, de repente, servir de lenço para alguém e lá está você se responsabilizando novamente. Mas e quando passamos da conta de responsabilidade? E quando não podemos mais nos responsabilizar por mais ninguém? Aposto que Antonie não tinha pensado nessa possibilidade. Para quantas pessoas Anitelli deve favores?
E então percebemos que independente de dar conta ou não, o mundo continua virando, a vida continua passando e as coisas continuam acontecendo e o que nos resta é o afeto; O afeto pelas lembranças que sentimos um dia por nosso cativo e a vontade de nos responsabilizarmos por ele. Quantas vezes afinal nos deixamos cativar? Quantas vezes alguém nos afetou? Quantas vezes e quando passamos a ser responsabilidade de alguém? Quantas vezes nos permitimos tudo isso?
O que quero dizer é que as palavras faladas são muito complicadas de serem ditas e, por vezes, ouvidas. Mas as escritas...Ah, as escritas! Elas nos permitem ser mal educados, ser verdadeiros, sonhadores e mais do que qualquer outra coisa, nos dá a escolha do acreditar. Uma história, uma verdade, uma mentira, só passa a existir a partir do momento que alguém acredita! É tão difícil falar, mas é tão fácil escrever. Talvez seja difícil acreditar, mas tenho certeza que é fácil sonhar.
Na escrita tudo pode ser a mais absoluta realidade, ou a mais fantástica viajem; posso dizer, por exemplo, que a mais de 30 horas estou chorando e sofrendo por alguém que já foi tudo na minha vida, mas que hoje não deve mais se lembrar de mim graças a um grave acidente que descobri recentemente. Cabe a vocês acreditar ou não. O que devo dizer então com todas essas ladainhas e voltas e encher linguiça é: Eu te amo! Ainda me preocupo com você, ainda me importa! Talvez eu não seja mais responsável por ti, mas você me cativou de tal maneira e seu afeto me afetou de tal jeito que a promessa que sempre lhe fiz, de tantas vezes repetir, a vida se encarregou de me fazer cumprir! Porque simplesmente, ainda te amo, não importa que forma de amor seja.
E a vocês, meus caros e raros leitores, tenho a obrigação de informar que nas escritas desta suposta “autora” qualquer semelhança é mera coincidência. Entre os textos deste blog encontra-se verdades extremamente reveladoras, e mentiras extremamente sonhadoras. Entre textos autobiográficos ou totalmente imaginativos, acredite no que lhe for conveniente, mas acredite. Faça das minhas mentiras, das minhas verdades e das minhas histórias de menina um prazer e um sonho realizado para esta que lhes pede com afeto: Cativa-me! Faça com que o trigo ganhe um significado. Cativa-me e eu lhe farei um favor...
*A Lista – Oswaldo Montenegro*