sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Esconde-esconde

Ter um amigo ou alguém que acompanhe nossa vida todos os dias é raridade. - Pelo menos para mim - Alguém que a qualquer momento eu possa puxar qualquer assunto e ela saberá exatamente do que estou falando e onde parei da última vez. Alguns assuntos são menores, tanto em tamanho quanto em importância. Esses são pequenos acontecimentos no dia-a-dia que passam despercebidos quando encontramos alguém que não víamos faz tempo. O problema é que alguns desses "pequenos acontecimentos" se somam todos os dias e acabam se tornando algo grande e, por vezes, complicado. E daí quando encontramos alguém existe tanta coisa para ser falada e explicada sobre aquilo, para que ela entenda porque é importante, que nem vale a pena começar o assunto, pois ela nunca vai entender e vai acabar por nem saber.

Esses pequenos acontecimentos são na verdade, as coisas mais importantes para se entender nossa vida ou nosso atual momento. E são deles que vem explicações para nossos sentimentos, atos, etc. - Pelo menos para mim. - Grandes acontecimentos marcam e passam. Pequenos passam despercebidos mas ficam grudados em nossa memória. Tudo isso não deixa de ser uma justificativa das minhas atuais atitudes. Afastei certas pessoas da minha vida e algumas demoraram tanto tempo para perceber que já está tarde. Pequenos acontecimentos tomaram conta da minha história e agora me resta omitir. Mentir. Deformar e esconder.

Escondo que amo, escondo que odeio. Escondo que sinto falta, e que estou de saco cheio. Escondo quando tenho vontade e quando não a tenho. Escondo minhas lágrimas e meus sorrisos. Meus sonhos e meus pesadelos. Escondo meu orgulho e meu medo. Escondo minha saudade, meu desejo, meu beijo.

Passo tanto tempo escondendo que começo a me perguntar o que está errado, afinal se fosse certo não precisaria esconder. Ou precisa? As vezes escondo só porque não vai entender ou porque não merece saber. Escondo coisas ruins, mas também escondo coisas boas. - Pelo menos para mim. - Sinceramente não sei porque faço disso tudo um esconde-esconde. Talvez tenha me perdido em pequenas mentiras inocentes que deixava escapar de vez em quando para esconder grandes verdades absurdas.

Pelo menos para mim, ou ainda, por mim. Comecei a me esconder para me proteger. De quem? Eu ainda não sei bem, mas algo me diz que não resolveu.

*Me revelar - Zélia Duncan*

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Sou eu assim sem você

- A verdade é que nesse pouco tempo de blog eu nunca falei diretamente com quem o lê, se é que alguém o lê. Mas essa nunca foi minha intenção mesmo. Coloco aqui textos e pensamentos que tive e tenho em determinados dias, tempos, épocas. Não espero que tenha leitores fiéis, seguidores ou até mesmo admiradores, como eu disse aqui eu quero ser EU e dane-se você! Sendo assim não preciso dar satisfações, porém desta vez sinto que o texto merece, no mínimo, uma explicação.

A alguns anos acreditava ter vivido meu sonho de infância. Acreditava que algumas coisas eram mesmo para sempre, e que tinha encontrado meu príncipe encantado. Óbvio, como já disse inúmeras vezes neste blog, eu cresci (Espero que ele também.). Eu acordei do meu sonho numa tarde lendo, veja que coincidência, um flog que pisoteava meu castelinho de areia deixando pequenos grãos para trás que, imagino, nunca serão varridos. Ainda acredito, triste confissão, que já conheci o homem da minha vida, mas hoje vejo uma enorme diferença entre o "amor da minha vida" e o "amor para o resto da minha vida". Não me lamento. Sinto sua falta, ainda, em alguns dias que palavras jogadas no ar sem querer me remetem a velhos tempos.

Depois daquela tarde demorei muito para resolver que queria e devia assumir as conseqüências das minhas escolhas e seguir sozinha e me dar uma chance de tentar ser feliz do mesmo jeito. E consegui. Naquela tarde eu escrevi um texto que nunca mostrei ou coloquei em qualquer lugar para ser lido. Guardei para mim como uma espécie de segredo ou até mesmo promessa, um dos grãos de areia deixados para trás. Hoje sinto que posso, se não devo, colocá-lo em algum lugar. É claro que para mim hoje é um texto infantil, muito do que escrevi ali não faz mais sentido e está totalmente desatualizado... mas as vezes acho que meus sonhos também. -

"Sou fogueira sem brasa, sou carro sem estrada. Sou Romeu sem Julieta. Me peguei escutando nossa música e descobri que nunca vou esquecer da sua cueca laranja!

Descobri que você é a estrela que mais brilha, descobri que você é a folha que caiu mais perto da minha raiz. Descobri que ainda não estou pronta para apagá-lo da minha memória, descobri que seu envelope ainda te espera, que suas fotos ainda estão nos lugares de honra e que seu desenho de um sol brilhante e um carinha drogado ainda estão meu armário não deixando que eu me esqueça de você.

Descobri que não é só meu quadro, meus porta-retratos e meu armário que ficarão vazios quando eu finalmente conseguir, mas meu coração principalmente.

Mas sabe... que para minha surpresa também descobri o quão bom é acordar e ser eu mesma, sem medo de pecar. Descobri que existem formas de amor diferentes e que uma delas tira nosso ar sem nos sufocar. Descobri que o ar que eu respirava tinha seu cheiro, mas existem outros perfumes. Descobri que posso ser feliz sem você, que existe queijo sem goiabada, namoro sem amasso e que alguns bebês não pegam chupeta.

Sinto sua falta, mas essa abstinência uma hora vai passar!"

"Quero mudar nosso futuro
Se não posso nosso passado
Está tudo tão escuro
Preciso de você ao meu lado
Me dizendo que no fundo
Ainda somos únicos no mundo" Pequeno Cordel - 2005

*Sua estante - Pitty*

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

8 (20) anos de coisas...

Um dia a gente percebe que tanta coisa foi jogada em baixo do tapete que acabamos tropeçando no monte de sujeira coberto. E levantando e deixando a sujeira a mostra percebemos que algumas delas já deveriam ter saído dali a muito tempo. Eu não sei porque, nem sei como. Do que eu tenho tanto medo? Alguém pode me dizer? Por que essa agonia e esse aperto no meu coração não vai embora? É horrível, ao mesmo tempo que é bom. É desesperadouro ao mesmo tempo que me dá adrenalina pra querer um novo dia. Eu não vejo a hora que isso pare , mas tenho medo que acabe. Quem sou eu que vive se contradizendo agora?

Preciso ter coragem e paciência para colocar todos os pingos nos "i's". Para me achar de novo e sair do "só por hoje". Para voltar a ser eu. Preciso faxinar minha vida, faxinando minha casa, meu quarto, minhas gavetas, meus papeis, minhas escolhas, minha mente, minha alma, e principalmente, meu coração. To precisando olhar um pouco pra dentro e ver toda essa podridão, encarar de frente e dar a cara a tapa, porque só assim, vou voltar a enxergar o lado de fora. Preciso voltar a me entender pra querer voltar a entender os outros. Preciso me dar valor pra dar valor a alguém. Preciso parar de planejar e começar a colocar em prática. Preciso para de depender e fazer o que está ao meu alcance. Por outro lado, até onde vai meu alcance? Aprendi quando pequena que meus direitos vão até onde começa os do outro. Tanta coisa que aprendi e era...mentira. Eu tenho o direito de estar com raiva, mais não tenho o direito de ser cruel. Até onde meu "alcance" não passa por cima de ninguém? Até onde eu consigo mentir e manipular as pessoas? Até quando vou continuar tentando ser a filha da puta que minha natureza nega? Até onde ela vai negar?

Por que eu não tenho coragem de olhar no espelho e falar e assumir o que eu acho?Por que estou com tanto medo de assumir algo que sei que, no fundo, não é verdade. Quem eu quero engana? Eu? Ele? Ela? Eles? Por que me faz tanto mal mentir, omitir e me dá tanto medo assumir. Será que eu ainda sei de quem eu to falando? Porque eu quero arruma rum culpado pra tudo isso? Por que eu me coloco na situação de vilã quando eu podia muito bem tá na situação de vítima? Por que eu odeio quando me tratam feito cristal se tudo que faço me parece agir como um? Os dias estão tão bons, e as coisas estão... certas.SOZINHAS. Parece que eu não mereço. Não to me esforçando pra tal. Isso me deixa confusa, sem controle. Se tá tudo tão bem, por que me sinto mal? Da onde vem esse pessimismo absurdo que me faz ficar esperando o que de tão ruim vai vir agora pra estragar tudo que tá tão...bom. Por que eu não consigo deixar de pensar, de imaginar se isso tá rolando só comigo? Por que eu tenho tanto medo de perguntar? E porque não cobrar? Será que eu já tenho o direito de cobrar?

Eu acredito em destino, sonhos, acredito em escolhas, ações e conseqüências. Descobri que um ano(dois, no caso) pode ser decisivo pro resto de nossas vidas!Que um amor pode mudar nossa alma. Que uma amizade pode mudar nosso destino. Que um simples conhecido pode mudar nossos conceitos. As coisas podem mudar e estou tão apegada a elas como são que me sinto como um depósito. São jogadas coisas e mais coisas e...nunca lembram de tirar nada. Eu preciso tirar. Preciso limpar da minha vida casos mal resolvidos, amizades desgastadas, pessoas não mais queridas. Gente que me magoa a cada dia, mesmo que seja por não dar sinal de vida. Ter paciência é tudo o que o destino tá me pedindo agora. Acho que é porque é tudo que eu tenho a oferecer agora. Sinto falta dos meus amigos, dos meus finais de semana, das minhas noitadas em um apartamento vazio, de jogatina, de morrer de rir de sono, de falar putaria sem nunca ter feito, de saber o que estou fazendo. Sinto falta de poder oferecer algo pra alguém. Sinto falta de mim! Da minha vida! Do meu tempo! E mesmo assim, eu sou feliz! Por que isso me assusta tanto? Por que é tão difícil deixar o passado lá atrás e o futuro lá na frente?

*É o que me interessa - Lenine*