Carta escrita por mim, para mim, em dezembro de 2008.
“Oi,
Não sei como começar e nem sei porque estou preocupada com isso, sendo que minha intenção não é de mostrar isso para ninguém! Ou não. É para simplesmente escrever e colocar em algum lugar tudo que está se passando, o que está me incomodando, pois sinto que isso atualmente é de interesse, único e exclusivamente meu!
O que eu sinto ou deixo de sentir, sinto que perdeu a importância a muito tempo... sinto que estou me dedicando demais a pessoas erradas e de menos a pessoas certas. Sinto que deveria me dedicar mais a mim mesma! Sinto que preciso de um tempo na frente do espelho comigo pra colocar minha vida nos trilhos novamente, mas sinto ao mesmo tempo que não posso fazer isso, pois sou fraca, infantil e tola.Tenho tanto medo de ficar sozinha para fazer isso, quanto não fazer. Me sinto confusa e odiosa com tanto “sentir”.
(...)Meus princípios estão de mãos dadas com meu orgulho, mas meu desejo parece que atravessou a rua. Me pego fazendo coisas que eu sempre julguei nos outros. Chamando-os de tolos e indecisos. Meros covardes imbecis. Talvez nem tanto. As coisas mudam e se tornam sem importância perto de outras que não consigo lembrar como era viver sem! Mas será que está tão errado assim eu mudar a minha forma de pensar? Não sei, meu orgulho anda falando que sim! O estranho é que o próprio orgulho, nunca foi de fazer diferença na minha vida.(...)
Será que minha amizade faz diferença? Será que eu faço diferença? E se eu morrer? Quem será que vai no meu enterro? Será que alguém vai chora por mim? E vai sentir minha falta ao ponto de querer morrer também? (...) Chega a ser cômico o modo como todos a minha volta andam tão sem sorte.
Talvez eu seja um imã, talvez o pensamento negativo esteja em mim de tal maneira que nem eu mesma noto! Talvez a minha vida ganhe uma continuação, talvez eu possa um dia ler isto e rir ao invez de chorar, talvez um dia ao ler eu não me reconheça, talvez eu sinta que cresci, a trampos e barrancos, mas cresci.(...)Uma criança, um alguém mentindo pro tempo, ou só o ignorando...
Me pego pensando e desejando coisa horríveis! Eu não tenho mais paciência, eu não tenho mais saco. Queria, eu quero, a morte de pessoas que são do meu sangue. E isso é horrível, é vergonhoso, é deprimente, é selvagem, é exatamente... o que eu sinto! Como pode existir tanta maldade ao nosso redor, onde a gente vive, onde a gente nasce e cresce sem notar? Porque não nascer já odiando quem merece? Porque dói tanto odiar alguém que um dia a gente amou, e amou muito, e quis o bem, e a felicidade? Porque essas pessoas nos fazem mal? Fazem mal a quem a gente ama? Será que um dia elas me amaram? Mesmo? Assim, de verdade, como eu as amei?
Porque agora é tão difícil confiar em alguém? Porque eu não consigo mais me sentir feliz? Porque eu não posso mais me sentir completa? Porque eu não consigo encostar a cabeça no travesseiro e dormir bem? Quando será que a minha vida vai voltar ao normal? Quando será que vou voltar a ser feliz? A dormir... a amar... a me sentir amada... a importar... me sentir importante... quando será que alguém vai poder ler isso e me entender? Quando eu vou encontrar alguém que valha a confiança, que valha a pena? Eu vou encontrar? Essa carta vai acabar? Ou ela vai ter continuação? Ou, vai ser como a minha vida está agora, pela metade, sem fim, sem sentido, sem mais nem porque... “
Ainda choro... ainda me identifico... As coisas mudaram, as pessoas mudaram, mas talvez eu não tenha mudado junto porque ainda sinto grande parte igual. Vazia. A lembrança dessa carta me veio com força hoje. O motivo de sua escrita também. A vontade também, mas no que isso ajudaria? Eu magoaria mais ainda quem já magoei. Abandonaria mais quem abandonei. Já que o mundo não pode parar para que eu possa descer, que eu possa rodar junto e que a tontura me tire a dor.
“Amo sempre a pessoa errada. Sou sempre a pessoa errada de alguém.”
Só quero meu lugar. Quero me achar e me sentir bem. Quase desejei ser surda, cega... Não dormi... suei... chorei... me contorci... sangrei. Chega. Eu não mereço isso! Foi minha ultima tentativa... Minha última chance.
Sentimentos meus, para mim, em outubro de 2010.
*Paz do meu amor – Luiz Vieira*
*Não quero dinheiro, só quero amar – Tim Maia*
*Bandeira branca – Dalva de Oliveria*
domingo, 31 de outubro de 2010
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Clareza
Hoje acordei com um aperto no coração da semana passada. Me peguei pensando se amanhã eu viverei como ontem e se o meu hoje me é suficiente. Me perguntei se o medo de perder não tem a ver com a perda em si, e se meu sofrimento não vem do meu sofrer. Existe tanta coisa dentro da minha cabeça que ela dói de tão oca. Meu coração está tão vazio que quase sedo ao seu peso. Minha modéstia me incomoda por machucar meu orgulho. Não darei o braço a torcer, ele já foi torcido há muito tempo. Odeio porque amo. Amo odiar. Acredito nas minhas dúvidas e duvido das minhas crenças. Quebro minhas regras. Bagunço minha organização. Corro quando ando e paro quando corro. Minhas lembranças me incomodam tanto que nem me lembro mais quem sou. Minha culpa é tão grande que quase não consigo encontrar. Sinto tanta falta do que nunca vou ter. Tenho tanta vontade que só posso me conter. Tantas lágrimas já saíram de minhas mãos que elas se secaram. Choro para não rir, sorrio para não mentir. Julgo quem me julgou. Olho por dente, dente por olho. Minha contradição é a minha única clareza. A única coisa que sei dizer é “não sei”. Minha certeza é minha maior dúvida. Minha coragem me dá medo. Minha liberdade me aprisiona. Minha liberdade. Minha liberdade vem da minha alma que está dilacerada, arrependida e perdida. Me cansei de poucas palavras que querem dizer tanto, mais ainda, me cansei de longas prosas que não me dizem nada. Minha fome nunca passa, nem meu enjôo que me impede de comer. Minha saúde não é mais saudável e minhas noites não são mais dias. Minhas horas tornaram-se minutos, meus minutos tornaram-se anos. Meus braços que usava pra acalentar hoje são suporte da minha boca que uso para magoar. Destruo quem protejo. Desminto minhas verdades. Minha melhor defesa é o ataque. Exijo que não exijam de mim, eu mesma faço isso. Minha inocência vem da minha manipulação.Meu porto-seguro é minha insegurança. Minha fraqueza vem da minha força e minha força sumiu. Vivo querendo morrer e morro por não conseguir viver. Meus sonhos tornaram-se meus pesadelos. Meus pesadelos são minha consciência. Minha consciência anda tão pesada que a levo a todos os lugares. Sou uma minoria que não acredita na maioria. Meu mundo tem esperanças que não consigo mais sentir por ele. Minha esperança se juntou as minhas vinganças. Fujo do castigo que desejo. Corro para o bem que nego. Hoje fui dormir com um aperto no coração do mês que vem. Espero que ninguém leia. Espero que alguém entenda.
sábado, 23 de outubro de 2010
Canhão
Nada é por acaso! Por outro lado existem coisas que são impossíveis de acreditar que estavam premeditadas, coisas que eram e são ilógicas, surreias e não tem um porquê. Esse é talvez, um dos meus maiores problemas, achar o porquê de tudo.
Tenho tantos medos e ergui tantas barreiras, construí muralhas ao meu redor e agora nem eu mesma consigo derrubá-las. É como uma ferida, que de tanto sangrar e cicatrizar deixou não só marcas, mas calos. Sou um ser calejado. Cansei de ser excluída, enganada, iludida por mim mesma, acredito. Derrubei tantas lágrimas e escondi tantos sorrisos, desejei tantas vinganças e oprimi tantos sonhos e vontades, que acho difícil voltar a ser limpa, clara e pura.
Existem tantas coisas a serem ditas, tantas outras a serem ouvidas. Entre umas e outras vem a vontade de gritar e a razão de me calar. Me fecho em meu mundo porque não preciso, e nem quero, sentenças para minha vida, meus atos, meus ideais, meus sonhos e objetivos. Me confundo com minhas confusões, me embaralho com meus embaraços e vivo com minhas escolhas. Faço do meu mundo minha dádiva e minha maldição. Manipulo a mim mesma e engano meu coração porque a verdade é que se a cada despedida que te fiz fosse capaz de me afastar, estaria tão longe que nem seus pensamentos me alcançariam mais.
Do livro aberto de páginas em branco, repleto de personagens patéticos, mentirosos, arrependidos, orgulhosos e decepcionados que me tornei, pode ser capaz de ler. Mas não se esqueça: Uma folha tem duas páginas e ler uma história não significa compreende-la. Foram esses personagens que forneceram o cimento, os tijolos e até mesmo a mão-de-obra para a construção das minhas barreiras.
Espero com essas palavras bem pensadas, em meio a palavras jogadas, dar um tiro no escuro. Mais do que isso, espero que atirem em mim. Com um canhão. Espero que façam buracos e brechas em minhas paredes de proteção, porque eu quero. Mas não posso. Quem vence é sempre a minha razão.
*Será - Legião Urbana*
Tenho tantos medos e ergui tantas barreiras, construí muralhas ao meu redor e agora nem eu mesma consigo derrubá-las. É como uma ferida, que de tanto sangrar e cicatrizar deixou não só marcas, mas calos. Sou um ser calejado. Cansei de ser excluída, enganada, iludida por mim mesma, acredito. Derrubei tantas lágrimas e escondi tantos sorrisos, desejei tantas vinganças e oprimi tantos sonhos e vontades, que acho difícil voltar a ser limpa, clara e pura.
Existem tantas coisas a serem ditas, tantas outras a serem ouvidas. Entre umas e outras vem a vontade de gritar e a razão de me calar. Me fecho em meu mundo porque não preciso, e nem quero, sentenças para minha vida, meus atos, meus ideais, meus sonhos e objetivos. Me confundo com minhas confusões, me embaralho com meus embaraços e vivo com minhas escolhas. Faço do meu mundo minha dádiva e minha maldição. Manipulo a mim mesma e engano meu coração porque a verdade é que se a cada despedida que te fiz fosse capaz de me afastar, estaria tão longe que nem seus pensamentos me alcançariam mais.
Do livro aberto de páginas em branco, repleto de personagens patéticos, mentirosos, arrependidos, orgulhosos e decepcionados que me tornei, pode ser capaz de ler. Mas não se esqueça: Uma folha tem duas páginas e ler uma história não significa compreende-la. Foram esses personagens que forneceram o cimento, os tijolos e até mesmo a mão-de-obra para a construção das minhas barreiras.
Espero com essas palavras bem pensadas, em meio a palavras jogadas, dar um tiro no escuro. Mais do que isso, espero que atirem em mim. Com um canhão. Espero que façam buracos e brechas em minhas paredes de proteção, porque eu quero. Mas não posso. Quem vence é sempre a minha razão.
*Será - Legião Urbana*
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