terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Afinal, amar ao próximo é tão demodê

Quando retiraram as bases do meu mundo ele estava lá comigo, me segurando. Ele abriu os vidros e mandou que eu gritasse. Foi ele que gritou comigo. Quando eu quase fiquei louca, enquanto chorava, gritava e urrava de dor, era ele que estava segurando minha mão e escondendo meu celular. Quando nada passava pela minha garganta e meu corpo se recusava a receber alimento, foi ele que me colocou dentro do carro, desceu a serra enfrentando pedágio, trânsito, acidente e comboio na esperança de me fazer beber um chocolate quente. Todas as vezes que meu corpo sedeu a mente, foram os braços dele que me seguraram. Ele enxugou minhas lágrimas, riu dos meus tombos, riu da minha risada, me colocou em roubadas e fugiu delas junto comigo, me xingou, me abraçou, brigou comigo e me elogiou. Ele foi o único que nunca saiu do meu lado e que nunca me abandonou, mesmo eu tendo decepcionado ele, mesmo eu não escutando ele... ele foi o único que nunca abriu mão de mim!

E que tipo de pessoa seria eu se abrisse mão dele? Ele é muito mais que um amigo, porque é meu irmãozinho, meu anjo da guarda. E eu serei a dele! E ninguém tirará isso de nós e muito menos poderá entender. Pensar que não terei seu olhar de apoio – tão conhecido desde muito tempo – antes de entrar em cena me dói, mas sei que ele estará comigo mesmo assim. E eu estarei com ele! Ele me orgulha como poucos e me faz feliz. Ele me faz sorrir, nem que seja de raiva e de tanto que me irrita... ele é meu porto-seguro!

Ele conseguiu sair desse ninho de cobras peçonhentas, ocupadas demais com suas vidas e seus sonhos. Sinto nojo de todos e desejo o mal de cada um, e assim, desejo o mal de mim mesma. Eu duvido que muitos ali dentro sejam capazes de fazer algum dia, por alguém, o que ele fez por mim. O mistério está desvendado, foi fácil admirar como a maioria se torna a minoria e (se) perde. Palavras não cumpridas e a coragem que se vai com o simples soprar de um ventinho. Eu o invejo. Porque não me levou junto? Que difícil vai ser sem você!

Eu sempre acreditei que quando todos a sua volta estão errados e você é o único certo, você só pode estar errado. Pois bem, eu serei a errada! Faço questão! Não me permito – mesmo porque não conseguiria nem tentando – alcançar tamanho nível de falsidade, interesse e egoísmo. Serei metralhada junto com minhas palavras e/ou meu silêncio, junto com minhas crenças, meus conceitos e principalmente junto com a minha lealdade e fidelidade por aqueles que amo e por aquilo que acredito.

Não tenho palavras para descrever o sentimento de impotência que nasce e cresce dentro de mim cada vez que escuto “com ele não se pode contar”. É como se a injustiça me sufocasse, tirando meu ar e junto minhas forças para lutar. Que tipo de pessoa sou que só consegue ficar quieta e não lutar cada vez que meus ouvidos são obrigados e engolir certas palavras? Acho que no fundo sou parte de ninho onde não há chances de existir o “nós”, apenas o “eu”, e que o mais forte sobreviva. Eu me recuso. Se eu pude sobreviver sendo a “idiota apaixonadinha”, que agora eu seja a “idiota amiguinha”!


*Baader-Meinhof Blues – Legião Urbana*

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Sabe quando...

Eu acredito que sou idiota. Eu acredito em uma energia maior. Eu acredito na humanidade. Eu acredito em astronomia. Acredito em ação e conseqüência. Eu acredito na felicidade, na certeza, na fé e na esperança. Mas também acredito em auto-preservação, no medo, na tristeza e principalmente na saudade. Acredito no amor, por mais absurdo que pareça. Acredito em finais de filme, de livros e de contos. Acredito no arrependimento. Eu acredito em contradições. Acredito que o bem e o mau são melhores amigos – inseparáveis – e às vezes brincam de trocar suas máscaras em determinadas situações e dependendo das pessoas envolvidas. Eu acredito em destino. Eu acredito em fadas!

Não acredito mais na minha inocência. Não acredito em vingança, nem em inveja. Não acredito em Deus e Diabo, céu e inferno. Não acredito que o tempo volta. Não acredito em hiperatividade. Não acredito em doenças físicas. Não acredito em final de novela. Não acredito em desculpas que não chegam nos olhos. Não acredito em políticos. Não acredito na solidão. Não acredito em auto-controle. Não acredito que existam mudanças sem dor. Não acredito na perfeição. Não acredito na vida adulta. Não acredito no esquecimento. Eu não acredito em notícias, em críticos e analistas. Não acredito em ditados populares. Não acredito em unanimidade, muito menos na maioria. Não acredito em coincidências. Não acredito no ser humano!

A vida é como um ciclo. Cometemos os mesmos erros, oras com as mesmas pessoas, oras com pessoas diferentes e oras com nós mesmos. Mas nada muda. As palavras que saíram de meus dedos em tempos passados voltam a fazer sentido. Acredito que tem uma lição a ser aprendida, que ainda não entendi qual. Não acredito que consiga sozinha. As coisas parecem tão confusas e injustas diante de meus olhos cansados de noites em claro e indecisões intermináveis. Alguém quebrou meus ideais, minhas crenças, minha fé. E até agora ninguém mais foi capaz de me devolver o que me pertenceu. Eu fui roubada. Roubaram meu orgulho, minha força, minha decisão, minha perseverança... minha alma e coração.

Sabe quando... você sente uma saudade absurda de alguém que não vai voltar? E essa pessoa é você! Sinto saudades de mim. Sinto-me tão pequena que em meio a tantas estrelas que brilham todas as noites, quem notaria o meu apagar? Quero minha coragem de volta, quero minha dependência. Sim, a coragem de depender. Eu quero que me escute sem que eu precise gritar. Quero que fale sem me deixar muda. Quero colo, quero mimo. Não quero mais lutar. Quero dar razão para as aparências, uma vez na vida... só pra variar...


*Sozinho - Caetano Veloso*

domingo, 6 de novembro de 2011

S.O.S.

quero vomitar meus medos e meus desagrados em um documento em branco ja que nao posso fazer isso nas pessoas que me cercam quero vomitar minha raiva meu ciume e meu medo do que pode e vai acontecer e eu sei quero cuspir na cara dos meus provocadores quero tirar sangue de quem me tirou lagrimas quero o meu tao sonhado papel de vila quero seu bem ao meu lado seu mal sem mim para que possa voltar e voltar nunca foi uma saida voltar seria pedir ao destino ignorar todas as novas provas postas a minha frente voltar seria covardia e sair nao e tambem sair correndo e fugir dessa historia rebobinada e de visualizaçao falha onde foi que falhei preciso aprender minha liçao o mais rapido possivel ja que minha carne esta viva e meu sangue esta para ser derramado novamente pelas folhas de um caderno velho nao virtual do qual posso queimar pagina por pagina comparado a um diario virtual que marcou minha dor meu desespero meu medo e arrependimento quero ser um animal e agir por extinto sem travas ou medos de magoar de decepcionar aqueles que amo e acima de tudo os que não deveria amar me deixe escolher a dedo quem o merece me deixe ser capaz de impedir que o tao famoso ai de mim pule das paginas que estou sendo obrigada a ler e reler e venha para a minha lingua tao sedenta da tua o orgulho me bate agora como me bateu tempo muito pouco atras como um homem que nao sou para bater em meu peito e me orgulhar de meus feitos de minhas conquistas e principalmente de meus personagens inocentes e seguros porque me escondo atras dessa mascara mal feita e mal pintada que muitas vezes deixa me aparecer pelas rachaduras do tempo da convivancia como pode em um unico corpo razoavelmente pequeno conter tanto amor e tanto desprezo odio e magoa quero tirar isso de mim estou tao cheia de cicatrizes e feridas sangrando e calos que e como se nao houvesse mais espaço para novos sofrerem como se pudesse acontecer de tudo a qualquer momento e meu pequeno corpo envolvido em morfina para amenizar a dor nao pudesse mais sentir a dor causada por qualquer um que seja bom ou não respeitado ou não merecedor ou não ao mesmo tempo que a morfina me anestesia de tal maneira que não posso os reconhecer tornando qualquer um capaz de me ferir novamente estou fragil ao ponto de qualquer um mesmo me ferir novamente estou tao forte ao ponto de acreditar que e exatamente por isso que aguentarei sem problemas qualquer um que possa me ferir novamente e voce tambem tambem tem medo e pode ser tao ferido quanto eu e tambem tem tanto medo quanto eu mas quem e o mais forte existe um mais forte precisamos de um mais forte nao existe equilibro nunca ha nunca houve e deve ser isto que falta ele foi ele que me preparou para isso foi graças as feridas abertas por ele que posso aguentar tudo que tenho aguentado foi graças a vinda dele que sei e nao tenho duvidas que amo com um amor que nao pode ser provado nao pode ser dito nem descrito deus existe entao prove nao prove tantas musicas me veem na cabeça agora uma em especial que nao me pertence e que me lembra seu amor me cortando com um estilete afiado lentamente no peito abrindo a brecha enorme que se afunda todos os dias e sangra e se recusa a ser fechada esses dias que me vejo tao sozinha cercada de uma multidao que nao sou capaz de diferenciar abandonada pela minha segurança minha reponsabilidade minha maturidade que me forcei a ter com o tempo e que decido no tempo errado que tenho o direito de amadurecer com calma sem pressa sem passar por cima ou ignorar os fatos a terra do nunca me espera assim como meu regresso minha grande aventura minha grande aventura e o amor e amar e você e a lagrima consciente que escore pelo meu rosto que nao consegue mais sorrir como antigamente e o sonho que o inconsciente me devolve para ser sonhado o sonho de menina o sonho tao esperado minha grande aventura e me passar por mulher e brincar de ter o controle e como brincar de casinha com moveis reais e a sujeira que precisa ser retirada minha grande aventura e crescer ao seu lado e abrir o caminho e ser atingida primeiro para saber como livrar os que protejo dessa dor tao forte e intensa que pode sentir estas palavras vomitadas ligadas e propositalmente confusas tornam meu vomito orgulho de minha criaçao eu me repito espero que nao leia espero que entenda assim como tantas outras palavras que ja foram vomitadas mas organizadas e nunca poderao ser lidas e compreendidas so o tempo so a coragem que me falta a maturidade que guardei na gaveta e a vingança que resolvi desembolorar


*Socorro – Arnaldo Antunes*

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Lembranças de uma memória

Estes últimos dias foram quase nostálgicos, quase mágicos, quase perfeitos, e eu quase fiquei feliz. Meus quatorze e quinze anos foram os mais esperançosos de minha vida, e tudo que passei, as pessoas que conheci e o que vivi neste período, me traz uma saudade inominável. Logo, tudo que me leva a esses anos me traz uma calma, uma esperança e uma felicidade indescritível. E como poderiam pequenas besteiras estragar tudo isso? Oras, mas é claro que poderiam, e como não?

A expectativa, o orgulho que não estava cabendo no meu peito, a gratidão ao destino por agradecer a um amigo que tanto me ajudou em momentos difíceis. O lugar, o cheiro, as pessoas, o ambiente, as cores, os detalhes. Tudo funcionava como uma máquina do tempo. Uma menina adolescente, animada por nada, simplesmente para ver seus ídolos, por ter pelo que esperar. A respiração ofegante que tanto me forço para disfarçar, que aparecem nesses momentos em que eu deveria estar sozinha, sem dar explicações, detalhes, justificativas. Só sentir e curtir. Aquele momento que ninguém, a não ser eu, sabia o quão importante era e daí... Dói. Nada de mais, só a velha dor do crescimento.

Lembro que sentia dores nas pernas e nas costas, mas não eram dores musculares, as dores pareciam vir dos ossos. Minha mãe me levou ao médico e depois de um exame muito rápido e de saber minha idade deu o diagnóstico como sendo “dores comuns do crescimento”. Só que o médico esqueceu de me dizer que aquelas dores seriam as que menos doeriam e as mais fáceis de suportar. Qualquer crescimento dói. O amadurecimento dói. É como ver um desenho de bonequinhos palitos que seu irmão mais velho fazia e eram incríveis quando você tinha cinco anos, mas com o passar do tempo você aprende que aquilo nada mais eram do que bonequinhos de palito e que você poderia fazer igual e até melhor. “A ignorância é uma benção”, é verdade! Como dói o peso da responsabilidade, e simplesmente não entendo porque ao crescer se perde a beleza das coisas mais simples. Parece que você é obrigada por todos, todo o tempo, a ser melhor, mais compreensiva, mais calma, mais tolerante e esperam sempre mais de você, assim como se espera sempre mais dos outros. Se me permito dizer, estou exausta de tantas expectativas!

Essa cobrança sufocante de ser uma mulher vinte e quatro horas por dia e sete dias da semana. E depois de um susto a menina de quinze anos que estava comigo deu lugar a mulher, por falta de espaço realmente, por não poder e não saber ser e ter ambas ao mesmo tempo. Entrei naquele lugar que nunca tinha entrado antes, e mesmo assim me era tão conhecido. Eu juro que podia sentir a euforia tentando tomar conta de meu corpo novamente, mas eu não permitiria. Tanto a euforia como o álcool me tiram completamente o filtro e é nesses momentos que sempre me arrependo. As cortinas nem tinham se aberto ainda e lá estava eu criticando mentalmente pequenos detalhes e defeitos. Com a mente tão distante daquele sonho que tanto sonhei.

É claro que os defeitos e os erros eram reais, mas com o tempo meu corpo foi relaxando e minha memória foi me lembrando do quanto eu desejei e sonhei com aquilo pra mim um dia, e como eu os admirava. Perfeitos eu não, quem se importa? Quem deveria se importar? Eu. Meu cérebro e meu coração travavam batalhas com os personagens, a direção, a produção, a coreografia, o cenário, o figurino e outras coisas mais, que nada tinham a ver com o espetáculo citado em si. Foi então que uma pergunta essencial foi feita as minhas lembranças: Por que mesmo eu gostava tanto disso?

E ela respondeu. Entre as falhas dos microfones, o ar levemente frio e extremamente pesado, eu me lembrei de olhar para os olhos dos meus tão admirados na madeira que um dia eu tratei como altar. Os olhos transmitiam uma luz, um brilho e um prazer que a muito tempo não sinto, não vivo. Me lembrei o quanto eu ria e me divertia até nos momentos mais dramáticos, porque o prazer deles de estar ali chegavam até mim. Eu dizia que era isso que eu queria, que era disso que eu precisava para viver feliz. Talvez isso explique porque anda tão difícil me sentir feliz. Meus olhos andam apagados.

Eles riam disfarçadamente dos próprios erros em cena. Lógico que para a mulher obrigada a crescer e analítica que espera um dia fazer melhor do que aquilo, sorrir era um erro e uma falta de respeito com o trabalho. Mas quem estava ali era novamente a menina de quinze anos que só queria esquecer um pouco todo o resto, que aquele sorriso disfarçado e encoberto era um charme, uma diversão, o acabamento que não poderia faltar.

Quando tudo acabou e meu corpo pulou sozinho da cadeira me deixando em pé e batendo palmas como uma criança cantando parabéns, eu não sabia responder se tinha gostado ou não. Era como se eu soubesse que tinha adorado, e muito. Mas tivesse vergonha desse sentimento, afinal era tão simples, com tantos erros e falhas. Mas enquanto a batalha ainda acontecia dentro de mim, me permiti “ser fã” mais uma vez e gritei a plenos pulmões, o que no lugar deles acho uma falta de respeito: LINDOOOOOOOOS!!!

E eles são. A cortina se fechou, e me despedi de vez da menina de quinze anos. Minha euforia cessou e o mundo real, tão adulto, cheio de explicações, justificativas, obrigações, compreensões e dores, voltou. Cheguei em casa com a ultima sensação que esperava sentir depois de dias tão bons. Vazio. As lágrimas de saudade, arrependimento, cansaço e sei lá mais o que, começaram a escorrer sem parar. E eu permiti. Que me lavem, eu preciso. Mais, muito mais, do que ser lavada pelas minhas lágrimas, preciso correr atrás de me lavar com lágrimas de terceiros. Com meu trabalho e o meu melhor. Preciso acender meus olhos novamente, não sei como... mas sei que vou dar um jeito.


*Metade – Oswaldo Montenegro*

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A sua imagem e semelhença

Antes já havia se perguntado o que tanto a incomodava...


Ela finalmente parou para prestar atenção. Sua imagem no espelho não correspondia a sua imagem real. Como a sombra de Peter Pan, que criava vida e resolvia fugir dele. Era isso! A sombra havia fugido e deixado apenas um corpo igual em sua imagem e tão diferente em sua essência. Será?

Talvez a sombra, cansada de ser limitada, resolveu se desprender e seguir a sua jornada; quanto ao corpo, livre por si só, tomou o seu lugar com forte presença. Aonde ele estava todo o tempo que ela ficou presa a sombra, não poderia responder. A coincidência a assombrava. Apesar de qualquer coisa se sentia incompleta, sem o corpo por inteiro e sem nem resquício de sua sombra.

Se olhava no espelho, virando de um lado para outro. O que a incomodava não eram – nem de longe – as diferenças e sim as semelhanças. E eram tantas! Seus cachos, sua cor, seu corpo, sua altura, mão, o sorriso que se esconde no canto da boca, a complicação, o impossível, o platônico, a sombra.


... olhar aquela imagem foi como um soco na boca de seu estômago. Ela estava simplesmente apavorada!


*Flores do Mal – Barão Vermelho*

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

inspiração por nada confusa

Ultimamente a minha vontade de escrever anda totalmente ausente. Eu monto histórias na minha cabeça, chego até a montar frases e pequenos parágrafos, mas eles parecem não querer sair da área que nasceram. Escrever é, sempre foi, e sempre será um parto. Mas ultimamente anda sendo cesárea. Me pergunto o que aconteceu, se a pouco tempo a trás eu estava produzindo tanto, enchendo esse espaço com textos novos, e novas ideias que iam para a gaveta por não ter tempo de colocar todas em prática de uma só vez. E foi lendo a uma entrevista de uma cantora talentosíssima que tenho me apaixonado, que entendi o que anda acontecendo.

Ela conta em sua entrevista que suas composições vem dos momentos em que se sente mais solitária e desamparada, que quando seu mundo está desabando ela produz como nunca. Ela diz que não poderá se casar, ou terá que dizer em um belo dia a seu marido “me desculpe querido, mas preciso do divórcio. Tenho um álbum para escrever.” Então é isso? Só se produz no sofrimento? Eu vou precisar sofrer para sempre para viver do que amo? Não posso acreditar, mas acabo acreditando.

No último mês algo pelo que esperei à tempos, finalmente aconteceu. Eu estou feliz. Realizada. Os meus últimos tombos, e minhas últimas feridas me fizeram acordar para meu mundo, que de novo não tem nada. Abri meus olhos e a cada dia me reequilibro mais e mais. Meus sentidos e minha razão ainda travam lutas violentíssimas dentro de mim, mas agora sou eu que escolho quem vencerá. Meu mundo, tão antigo e clássico, está voltando em forma de revolução e novas descobertas. Como e difícil não relaxar, e me manter em pé, com atenção e pronta para qualquer coisa. Como eles exigem de mim.

Isso tudo não passa de uma grande mentira. Eu não mudei, não estou mudando. Mas voltei, estou voltando. Cansada de ser a única que vê aqueles olhares, que escuta os suspiros provocantes que despertam o que tem de mais primitivo e selvagem em mim. Não existe uma alma viva capaz de me explicar, fazer entender e muito menos aceitar, que existem regras e padrões a serem seguidos apenas por poucas pessoas, em pequenos períodos de tempo, apenas dentro da linha do interesse de cada um. E aquilo tudo que cresci ouvindo sobre “seu direito acaba onde começa o do outro”? Eram mesmo brincadeira de criança, contos e fábulas?

Compreendo, é claro, que a minha educação é minha. Meus ideais, a minha diferença entre o certo e o errado, meus conceitos e todo o resto, é meu. Não posso exigir, dentro de uma ignorância sem tamanho, que todos tenham a mesma visão que eu sobre as coisas. Mas não é óbvio que matar e roubar são coisas erradas de se fazer? Existem pequenos outros crimes, muito mais simples e de menor conseqüência, que também deveriam ser óbvios. Talvez essa seja a resposta, são pequenos demais. Pra quem?

Ah, essa hipocrisia me cansa a beleza! E não falo da beleza física, mas da beleza da vida, das relações, do ambiente, da convivência, da educação mínima. Perdi as contas de quantas e quantas vezes quis desistir de tudo, abrir os meus braços e gritar “Leeeva, faça bom proveito!”. Chego no ponto que a minha prioridade é a minha sanidade. Não é brincadeira, nem exagero.

Recentemente senti o doce gosto da loucura, que a princípio vem com a liberdade. Ninguém julga um louco, ele é louco! Mas como a loucura não era profunda, ainda pude enxergar o mundo externo e cinza se definhando com meu mundo interno e colorido. E isso eu não pude sustentar. “Fracos são aqueles que amam”, é a maior verdade que já ouvi. Se nada me prendesse no chão, se ninguém existisse aos meus olhos e ao meu coração, como seria doce a loucura!

Chego assim à conclusão que não é a mágoa, o desespero e o sofrimento que me inspiram, é único e simplesmente o amor. Eu me magoo quando alguém que eu amo me afeta, me desespero quando algo que amo saiu do meu controle e sofro por amar pessoas e coisas que não deveria amar. Sendo assim, não tenho motivos para temer, o amor se faz mais do que presente em minha vida, e não falo apenas do amor romântico. Sendo assim, respiro fundo, tomo meu floral, abro meus braços e grito “Veeenha, quero ver o que ainda de proveito se pode tirar de mim!”


*Someone like you – Adele*

terça-feira, 16 de agosto de 2011

A Marca

Quando eu era criança, bem novinho, meu pai comprou o primeiro telefone da nossa vizinhança. Eu ainda me lembro daquele aparelho preto e brilhante que ficava na cômoda da sala. Eu era muito pequeno para alcançar o telefone, mas ficava ouvindo fascinado enquanto minha mãe falava com alguém. Então, um dia eu descobri que dentro daquele objeto maravilhoso morava uma pessoa legal. O nome dela era "Uma informação, por favor" e não havia nada que ela não soubesse. "Uma informação, por favor" poderia fornecer qualquer número de telefone e até a hora certa.

Minha primeira experiência pessoal com esse gênio na garrafa veio num dia em que minha mãe estava fora, na casa de um vizinho. Eu estava na garagem mexendo na caixa de ferramentas quando bati em meu dedo com um martelo. A dor era terrível, mas não havia motivo para chorar, uma vez que não tinha ninguém em casa para me oferecer a sua simpatia. Eu andava pela casa, chupando o dedo dolorido até que pensei: “O telefone!”

Rapidamente fui até o porão, peguei uma pequena escada que coloquei em frente à cômoda da sala. Subi na escada, tirei o fone do gancho e segurei contra o ouvido. Alguém atendeu e eu disse:

- Uma informação, por favor. – Ouvi uns dois ou três cliques e uma voz suave e nítida falou em meu ouvido.
- Informações.
- Eu machuquei meu dedo... – Disse, e as lágrimas vieram facilmente, agora que eu tinha audiência.
- A sua mãe não está em casa? – Ela perguntou.
- Não tem ninguém aqui... – Eu soluçava.
- Está sangrando?
- Não – Respondi – Eu machuquei o dedo com o martelo, mas tá doendo...
- Você consegue abrir o congelador? – Ela perguntou. Eu respondi que sim – Então pegue um cubo de gelo e passe no seu dedo - Disse a voz.

Depois daquele dia, eu ligava para "Uma informação, por favor" por qualquer motivo. Ela me ajudou com as minhas dúvidas de geografia e me ensinou onde ficava a Filadélfia. Ela me ajudou com os exercícios de matemática. Ela me ensinou que o pequeno esquilo que eu trouxe do bosque deveria comer nozes e frutinhas.

Então, um dia, Petey, meu canário, morreu. Eu liguei para "Uma informação, por favor" e contei o ocorrido. Ela escutou e começou a falar aquelas coisas que se dizem para uma criança que está crescendo. Mas eu estava inconsolável. Eu perguntava:

- Por que é que os passarinhos cantam tão lindamente e trazem tanta alegria pra gente para, no fim, acabar como um monte de penas no fundo de uma gaiola? – Ela deve ter compreendido a minha preocupação, porque acrescentou mansamente:
- Paul, sempre lembre que existem outros mundos onde a gente pode cantar também... – De alguma maneira, depois disso eu me senti melhor.

No outro dia, lá estava eu de novo. "Informações.", disse a voz já tão familiar. "Você sabe como se escreve 'exceção'?"

Tudo isso aconteceu na minha cidade natal ao norte do Pacifico. Quando eu tinha 9 anos, nós nos mudamos para Boston. Eu sentia muita falta da minha amiga. "Uma informação, por favor" pertencia aquele velho aparelho telefônico preto e eu não sentia nenhuma atração pelo nosso novo aparelho telefônico branquinho que ficava na nova cômoda na nova sala.

Conforme eu crescia, as lembranças daquelas conversas infantis nunca saiam da minha memória. Frequentemente, em momentos de dúvida ou perplexidade, eu tentava recuperar o sentimento calmo de segurança que eu tinha naquele tempo. Hoje eu entendo como ela era paciente, compreensiva e gentil ao perder tempo atendendo as ligações de um menininho.

Alguns anos depois, quando estava indo para a faculdade, meu avião teve uma escala em Seattle. Eu teria mais ou menos meia hora entre os dois vôos. Falei ao telefone com minha irmã, que morava lá, por 15 minutos. Então, sem nem mesmo sentir que estava fazendo isso, disquei o número da operadora daquela minha cidade natal e pedi:

- Uma informação, por favor. – Como num milagre, eu ouvi a mesma voz doce e clara que conhecia tão bem, dizendo:
- Informações. – Eu não tinha planejado isso, mas me peguei perguntando:
- Você sabe como se escreve 'exceção'? – Houve uma longa pausa. Então, veio uma resposta suave:
- Eu acho que o seu dedo já melhorou, Paul. – Eu ri.
- Então, é você mesma! – Eu disse – Você não imagina como era importante para mim naquele tempo.
- Eu imagino – Ela disse – E você não sabe o quanto significavam para mim aquelas ligações. Eu não tenho filhos e ficava esperando todos os dias que você ligasse.

Eu contei para ela o quanto pensei nela todos esses anos e perguntei se poderia visitá-la quando fosse encontrar a minha irmã.

- É claro! – Ela respondeu – Venha até aqui e chame a Sally.

Três meses depois eu fui a Seattle visitar minha irmã. Quando liguei, uma voz diferente respondeu: "Informações." Eu pedi para chamar a Sally.

- Você é amigo dela? – A voz perguntou.
- Sou, um velho amigo. O meu nome é Paul.
- Eu sinto muito, mas a Sally estava trabalhando aqui apenas meio período porque estava doente. Infelizmente, ela morreu há cinco semanas. – Antes que eu pudesse desligar, a voz perguntou – Espere um pouco. Você disse que o seu nome é Paul?
- Sim.
- A Sally deixou uma mensagem para você. Ela escreveu e pediu para eu guardar caso você ligasse. Eu vou ler pra você.

A mensagem dizia: "Diga à ele que eu ainda acredito que existem outros mundos onde a gente pode cantar também. Ele vai entender."

Eu agradeci e desliguei. Eu entendi...


NUNCA SUBESTIME A "MARCA" QUE VOCÊ DEIXA NAS PESSOAS

Autor desconhecido.

Ps: Um dos meus maiores espaços potenciais. Desde que li este texto pela primeira vez, em um daqueles power ponit infernais que recebemos, alguma coisa mudou em mim. Algo muito maior foi compreendido. E se um dia eu ler este texto sem sentir o nó na garganta e sem a vontade da única lágrima escorrer pelo meu rosto, é porque algo mudou, novamente, dentro de mim. E não poderei garantir que foi para melhor...

*So far Away - Rod Stewart*

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Não estou só...

Um passarinho que me fez chorar, me fez me lavar. Ele me contou que eu não estou só e que existem pessoas que me amam mais do que posso imaginar. Quem será? Será verdade? Quem me ama e tem medo de falar? Ou talvez já tenham falado e eu só não tenha ouvido ou entendido. Mas sei de algumas pessoas que estão comigo, que não saíram do meu lado nesses tempos tão difíceis, que seguraram minha mão, secaram minhas lágrimas e ouviram meus dramas de menina sonhadora.

Essas pessoas que eu já consolei um dia, me consolam agora. Em pequenas demostrações que, tão banais, me fazem ver o tesouro que tenho em mãos e não quero mais abandonar. Me fazem bem. Me trazem de volta. Nomes eu não vou citar, porque sabem que falo deles. Mas um em especial me pegou de surpresa hoje pela manhã, com palavras simples e de brincadeira, fez meus olhos brilharem e um sorriso sincero (Tão raro ultimamente) surgir em meu rosto. As palavras são do meu magrelo, cuco, ex cunhado, primo, irmão ou eu sei lá o quê, como ele mesmo disse. As palavras são essas:


"Uma vida de novela
Da ruivinha preferida
Quando seu príncipe vai chegar
Pra mudar sua rotina

Ele não vem a cavalo
Ele não é um negão
Mas um dia vai chegar
E roubar seu coração

E não vai te machucar
Como um dia outro fez
Pode sempre acreditar
Chegará a sua vez 

Leia meus versinhos pra vc, te amo gordinha :)"


E eu pergunto: Como não amar? Como não se apaixonar? AI QUE FOFINHO!!! (hehe)

Não tenho palavras para agradecer a vocês e dizer o quanto sinto falta de tê-los em minha vida. Nesse mês que poucos voltaram, muitos me trouxeram paz e alegria. Obrigada!

Amo vocês, sem mais!


*Amigas para sempre - Chiquititas*
(Direto do túnel do tempo! hehe)

terça-feira, 5 de julho de 2011

Todo mundo já "traiu" alguém

Dizem que todo mundo leva chifre ao menos uma vez na vida. Dizem também que o que o coração não vê, o coração não sente. Mas e todo o resto que o coração sente? Ninguém vai falar?

É que mulher na TPM cria todo tipo de teoria maluca e a minha nova teoria maluca é a de que "traição" é apenas um nome que as pessoas resolveram crucificar. "Traição" virou crime sob pena de apredejamento em praça pública, afinal infidelidade é atitude sem desculpas, sem perdão e sem chances de se redemir. Com toda razão, longe de mim ficar falando que infidelidade é probleminha besta em um relacionamento. Não é. É um problema que deixa um buraco do tamanho de um caminhão.

Eu só queria saber porque tanta gente levanta a mão pra falar mal de traição - é um absurdo! nunca admitiria uma coisa dessas! - enquanto permitem que o outro as machuquem de tantas outras maneiras. Para ficar melhor explicado: infidelidade é apenas uma das traições que alguém pode fazer com você. Há tantas outras traições que senão piores, no mesmo patamar de tristeza e desrespeito. No entanto, as pessoas têm esse costume louco de "deixar pra lá" a maioria dos tapas na cara que levam. Se fosse um beijo dado "sem querer querendo" - segundo aquele que pulou a cerca - seria permitido se armar um escândalo. Já a frieza, a ausência, a falta de compreensão, a falta de demonstração de carinho, deixa-se pra lá com a desculpa de ser algo "normal" em uma relação.

Trair não é normal, não me venham com modernidades. Do mesmo jeito que crucificamos a traição por infidelidade deveriamos jogar pedras também nas outras traições capazes de machucar tanto quanto pegar o seu namorado na cama com outra (que acredito que deva doer bastante). Trair é também trair quem a gente é; é trair o amor que a gente prometeu; é trair o carinho que aquela pessoa nos dedicou com tanto zelo. Vamos ser fiéis na cama, mas vamos ser fiéis também ao auto-respeito e não "deixar pra lá" as coisas que o coração pode até nem ver direito (ele é meio míope), mas com certeza sente.

Autora @tpmfeelings

Ps: Não me julguem. Quando a dor é tão forte que te deixa cega, surda e muda, se encontram respostas e palavras apaziguadoras nos lugares mais absurdos. Eu traí e fui traída recentemente, e sinceramente não sei qual dos dois dói mais. Sem ter mais o que dizer, pra quem correr... é isso. Só leiam.

*Encontro das águas - Jorge Vercilo*

segunda-feira, 4 de julho de 2011

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Da boca para fora

Fazemos por merecer. Essa frase para mim não tem sentido nenhum, pior que sentido, não tem lógica. Ultimamente as coisas no meu mundo andam de cabeça para baixo. Coisas boas e ruins acontecem a pessoas que não merecem. Vejo lágrimas em rostos que deveriam sorrir, e sorrisos em rostos que deveriam chorar. O mundo é injusto, eu sei, mas não consigo me conformar porque ainda preciso acreditar.

Como dói a certeza! Tudo o que eu queria nesse momento era que alguém chegasse pra mim e me falasse que estou completamente errada, equivocada. Tudo o que eu queria era não estar certa, que as coisas não fossem o que aparentam, que o que está por vir não fosse acontecer. Esse final que se arrasta e se prolonga e parece nunca chegar ao fim de verdade. Tenho medo porque sei o que está por vir. Como eu queria não saber!

Chega a ser hipocrisia desejar a inocência, mas os inocentes e perdidos parecem sofrer menos. Essa dor física que não passa, que dá a sensação de meus olhos três vezes maiores que o normal graças a uma pressão ocular que não existe, como se alguém cavocasse com uma faca sem ponta atrás da minha cabeça e batesse com um martelo sem parar nos ossos da minha face fazendo uma confusão tão grande que torna meu cérebro um líquido sem valor nenhum que escorre por trás de minha garganta e ao bater no meu estômago faz com que o mesmo se contorça para expulsar tal líquido pela boca. É estranho descrever, não parece real, mas juro que é isso que sinto. Não, não vai passar.

A desistência bateu em mim com tanta força que quase me derrubou. Olhar tudo aquilo e me perguntar porquê. Eu ainda não entendi e espero, de verdade, entender. E apesar disso tenho a certeza que sou uma das que mais sabe o que está fazendo. To começando a ficar desesperada, mas meu corpo está completamente adormecido e tomado pelas dores físicas que meu cérebro tenta distribuir pelo resto do corpo já que ele não pode mais suportar tudo sozinho. Não tenho dúvidas que estou mais forte, mas assim como um músculo muito trabalhado perde sua flexibilidade, estou cada vez mais dura e fria. Estarei me transformando enfim no mostro que já citei em meus contos?

Realmente... ninguém se importa! Porque quando juntos existe apenas uma verdade perante o que nossos olhos podem ver, mas separados... por que se importariam? Não interessa e eu também não me interesso. Nunca fugi tanto da solidão e nunca a senti tão de perto, ela nunca me perseguiu tanto. Me sinto completamente sozinha, porque estou. Tento disfarçar pulando de galho em galho em uma árvore que não pode me aguentar porque, enquanto perdida no meu mundo, esqueci de regá-la e adubá-la. Por reclamar tanto das mesmas pessoas perdidas em seu próprio mundinho minúsculo, fútil e inútil... estou me tornando uma delas.

Perdi a confiança e minha esperança está disfarçada de paciência, que é na verdade, a minha desistência por estar de mãos atadas e não poder fazer mais absolutamente nada, a não ser esperar. E aqui estou eu, me escondendo de pessoas que querem meu bem, atrás de uma tela enquanto lágrimas escorrem em segredo pelo meu rosto saudoso de um sorriso verdadeiro, espontâneo, sincero e sem motivo...


*Viva La Vida – Coldplay*

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Resposta

Para todos os lugares que olho a mesma palavra. Para todas as respostas de minhas perguntas a mesma palavra. Para todos os conselhos que tenho recebido a mesma palavra. Mas como lidar com ela? Até onde ela é valida? Ela se esgotará. Vejo em todos os lugares. Vejo escrita de formas variadas e em orações de significados diferentes, mas ela sempre está lá. Para me assombrar e continuar a tirar meu sono. Parece querer dominar a minha ansiedade, dizer qual é o seu lugar e mostrar que não veio para brincar.

Mentira. Está mesmo brincando comigo, não está? Sinto-me uma espécie de marionete manipulada por mim mesma. Dominada pelo meu inconsciente que ultimamente está mais do que presente, gritando a todo momento, quase me deixando surda. Me obrigando a pensar nos assuntos mais sombrios de minha história, me fazendo resgatar sonhos, esperanças, medos a muito tempo enterrados. Trazendo a confusão à tona e me obrigando a tirar a sujeira de baixo do tapete, fazer uma faxina em minha vida, reciclando idéias, projetos, objetivos, metas e, principalmente, pessoas.

Sempre a mesma palavra. Na horizontal e na vertical. Escrita com letras de mão ou de forma, pequenas ou garrafais. É um dom? Será algo que tenho que desenvolver para ser uma pessoa melhor? Que tipo de pessoa afinal me tornei ou me tornarei? A mesma palavra para descobrir. Sempre a mesma palavra.


*Linda Rosa – Maria Gadu*

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Macenda - Uma estrela cai do céu

"Diante da morte todas as resoluções se dissolvem. As ações tornam-se inúteis, as paixões cessam. Só o amor permanece.

Naquele dia senti minha alma prestes a se dissolver, repelindo o corpo agora estranho. Estou morto - um suicida - o que torna a minha história mais interessante."


O que seria Macenda? Macenda é uma cidade do reino de Mifusgar. Ainda não entendeu? Então espere, vou explicar.

Cursando o quinto período tudo parece tão diferente do que deveria ser, tudo parece tão diferente do que tinha imaginado ainda no primeiro dia de aula. Eu esperava tanto o quarto período – hoje realizado e sendo o único que me deixou resquícios de saudade – e a formatura. O que esperar do quinto período que nunca é mencionado? Mal sabia eu que acabaria por me apaixonar nesta etapa de minha formação.

É necessário a entrega de um projeto com uma idéia de montagem para a formatura. Minha idéia era fazer um infantil, porém com tantas diferenças em nossa turma, como convencer a todos? Como fazer um projeto que me realize e que possa realizar a todos? Foi aí que veio a idéia de fazer um projeto mágico e impossível, o projeto “AGRADANDO GREGOS E TROIANOS”. Obviamente não sou tão inocente para acreditar nisso, acreditar que realmente agradarei a todos. É impossível. Sempre foi. Em nossa turma existem galáxias diferentes dentro de um planeta que precisa conviver. Mas eu tentei. E junto dessa tentativa carreguei comigo três pessoas, amigos que também buscam se realizar e que, por algum motivo, confiam em mim.

Um desses é um talentoso escritor, que não sabe ou não admite, tamanho talento. Eu confio e me orgulho dele. Em meio a suas crises e dúvidas – tentei esconder as minhas – e lhe explicar que não seremos os novos Shakespeare’s, nem os novos Tchecov’s, nem os novos Brecht’s, mas que precisamos começar de algum lugar, e porque não na nossa formatura? Afinal, corrija-me se estiver errada, ainda estamos em processo que formação, portanto aprendizado. A palavra chave desde a primeira idéia sempre foi “TENTAR”!

O projeto foi sendo conversado e montado através de conversas na BenHur, sopas, queijos roubados, esfiras e Dolly. As idéias foram surgindo, as discussões foram esquentando e tudo começou a ganhar vida. A história parecia não sair do lugar, e seus personagens eram a única coisa que tínhamos. Mas de onde eles vinham? O que eram? Nós não sabíamos e aos poucos eles mesmos – e nosso escritor modesto – foram nos contando. Cada nova descoberta, cada nova ligação entre eles, traziam um prazer e um brilho aos olhos de todos. Nós rimos, falamos besteiras e tivemos idéias ótimas.

Tanta coisa é necessária dentro de um projeto. Montamos seu orçamento, seus objetivos, justificativas, cronograma, escolhemos nomes de profissionais confiáveis e um modo de colocar aquilo claro. Tudo o que esperamos é a chance de ser lido e explicado. Queremos com o projeto mostrar para alguém e dizer “Tá vendo? Vem com a gente, vai ser muito legal!”. Tudo aqui parece quase uma brincadeira de criança, não é? Não, não é.

Estávamos nas últimas semanas e finalmente o projeto ganhou um nome: Macenda. No começo pareceu estranho, mas era um nome tão mencionado, afinal, é a cidade onde a história se passa. Até então, eu tinha me esquecido que a partir do momento que damos o nome a algo, nos apegamos a coisa. Era já a última semana e o projeto ainda estava na estrutura básica. Mostramos ao professor responsável e descobrimos que teríamos que reescrever muita coisa, e deixar “Macenda” ainda mais claro e objetivo. A história ainda não estava escrita e parecia não querer sair da mente de nosso escritor, agora sendo pressionado. Ele nos escreveu um diário de bordo – qualquer semelhança não é mera coincidência – dizendo o quão difícil estava sendo para ele e nos pedindo desculpas. E ainda assim ele continuou e eu nunca duvidei de sua capacidade.

Eu passei dias inteiros – meus primeiros dias no novo trabalho – reescrevendo e remontando tudo. Nosso escritor passou uma noite inteira escrevendo a história e eu, novamente, passei uma noite inteira editando e formatando. Deixando tudo o mais perto da perfeição de nossos olhos que eu podia. Descobri naquela madrugada, olhando os personagens e relendo a história pela décima vez, que estava completamente apaixonada. O quinto período nada mencionado reacendeu meu desejo de me formar.

Pode parecer besteira, mas enquanto engolia meu sono e meu mal humor de uma noite em branco, e pintava página por página do longo projeto deixando a apresentação como queríamos, eu estava parindo um filho. Sim, era como um filho, uma criação minha. Tudo o que passei por “Macenda” só fez aumentar meu amor. E então minha criança, recém nascida, foi tirada de meus braços.

Novamente, parece besteira, mas por um minuto pensei em não entregar, pensei em ficar comigo, em ficar lendo e relendo. Sei que as chances desse projeto não ser aceito são grandes, mas acho que não me importo mais, porque valeu a pena. Eu tenho um filho e quero vê-lo crescer. Vou realizar esse projeto – espero que acompanhada de meus três amigos – na formatura ou em outro momento. Sim, foi um projeto totalmente moldado para minha Turma. Sim, foi uma história totalmente pensada para a formatura, mas preciso tentar. Preciso continuar tentando.


"Nem bem tinha completado dez anos e acreditava que já tinha encontrado todas, não só as constelações, mas todas as estrelas. Eu havia nomeado cada uma e, de todas, uma em especial chamava a minha atenção. Ela ficava isolada das outras, não fazia parte de nenhuma constelação conhecida; parecia tão solitária, assim como eu. Passei então a observá-la mais do que as outras. Era como se ela também me observasse. Passei a sentir que ela me acompanhava por todos os lugares, que me protegia, que velava meu sono inquieto; podia ser só uma ilusão, mas eu realmente acreditava.

Enquanto os outros garotos se apaixonavam pela menina mais bonita, eu me apaixonava por uma estrela no céu. Eu cresci com ela. Os anos foram passando e eu a amava cada vez mais. Até que um dia, entre um minuto e outro, percebi que ela já não brilhava como antes, estava diferente, quase apagada. Eu sabia que havia algo errado: ela estava morrendo. Alguns segundos depois ela passou riscando o céu diante de mim. Foi como se ela estivesse apenas me esperando pra morrer, aguardando somente a mim para finalmente cumprir o seu destino e realizar o milagre que eu tanto desejei: trazer a minha mãe de volta a vida. Esperei por aquele momento a minha vida inteira. Então naquele instante eu desejei com todas as minhas forças que ela não morresse. Que viesse ao meu encontro, que fosse minha. De alguma forma meu desejo foi atendido e eu a vi caindo do céu. Saí desesperado a procurá-la, eu tinha que encontrá-la. A minha felicidade dependia disso."

*Estrela – Djavan*

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Absurdamente Eu - Aquariana

Quando estão amando (veja bem, eu disse a-man-do. MESMO) as aquarianas são extremamente fiéis. Pode confiar. Bem, mas não vivemos num mundo perfeito né verdade? Compensando sua dedicação, a aquariana é dotada de um alheamento e falta de emoção em relação às pessoas, que é de se apostar todas as suas fichas como ela não está tão afim de você. Mas ela está. Basta deixar que ela se envolva com sua deliciosa lista de 6 bilhões de assuntos que ela precisa pesquisar e descobrir. Bem como seus outros 6 bilhões de amigos (um em cada canto do universo). O maior erro que você poderia cometer na sua vida seria amarrar os pés das discípulas do vento, ao pé de uma cama.

Acostume-se. Passe a encarar com naturalidade o fato de que ela pratica capoeira, lê livros em cima da árvore (não embaixo), e decide passar as férias trabalhando como voluntária da Cruz Vermelha. Lembra quando você a viu na TV amarrada na árvore que iam derrubar? Pois então. Achei normal. Ela é a única por onde passa a idéia de perseguir uma estrela cadente, enquanto todos os outros estão concentrados em realizar pedidos. E olha que eu ainda não cheguei no principal.

A aquariana não pertence a ninguém porque ela é de domínio público. Elas insistem e precisam ser livres. No entanto, a pessoa que aceita os seus termos, terá sua profunda admiração e devotamento. Ela sabe que não é fácil.

Devo dizer que paixão realmente não é o forte delas. Passam longe do que são as mulheres de escorpião. Serão como borboletas, imprevisíveis, vivendo de acordo com seu próprio código, em sua trajetória singular. No fim da história, ela sofre de um medo secreto de se apaixonar demasiadamente por alguém e acabar negligenciando o mundo e todas as outras pessoas que precisam dela, e vice-versa. Basta dizer que ela é a esposa perfeita para um piloto de avião.

Seu temperamento, bem como o amor que dedica, é definidamente impessoal. A aquariana ama mais a humaninade do que o ser humano. Então elas não demonstram o que estão sentindo muito facilmente. As palavras com as quais elas expressam o seu amor são frustrantemente limitadas. Ela pode ser como um flamingo posudo e elegante nas mais diversas situações, mas em matéria de amor ela se transforma num ogro estabanado. É muito comum que ela viva confundindo amor e amizade tamanho seu desligamento com questões de espécies mais quentes, digamos assim. Há muita coisa linda e maravilhosa pra se ver por ai do que sua cara todos os dias.

É dificil, eu sei. Mas se você está apaixonado por uma mulher dessas há de reconhecer: nunca você acreditou tanto em mágica como acredita agora. É nítido como as aquarianas realmente se destacam, não pelo brilho como as leoninas, pelo sucesso como as capricornianas ou pelo apelo irresistível das mulheres de escorpião. As aquarianas são a cereja do bolo simplesmente porque elas não fazem parte daquele lugar.
Ela é internacional, onde quer que ela esteja.

Não é ótimo? Você pode ter um produto importado, que prevê o futuro, sabe de tudo que está acontecendo e que ainda te ama nos dias em que você se sente menos amado. Tudo isso pelo preço de você não ser tão conservador e reservar sempre uma boa mente aberta.

*Nada por mim - Kid Abelha*

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Entenda-me se for capaz

Volta pra mim! Espere, fique ai, exatamente onde está. Não vá embora, eu ainda preciso de você e não estou pronta para te deixar partir! Ou não volte, não estou pronta para seu retorno! Presente ou não na minha vida, quase não faz mais diferença, quase! Vá embora! Eu te quero tanto! Não te espero mais. Eu te amo! Não sinto absolutamente nada. Estou completamente e irremediavelmente apaixonada por ti! É pura atração física! Aquele friozinho na barriga de ler suas palavras ainda existe. Não me esconda seus segredos. Venha mudo e não me dirija a palavra, apenas me toque! Me conte seu dia... Me abrace e sussurre em meu ouvido, o que espera de mim? Não quero seu corpo, só seu espírito e sua presença. Espero de ti nada mais que o prazer! Está tão longe e não sai da minha vida! Está tão perto e parece que não nos encontraremos mais... Está ao meu lado, presente, obrigada! Pode ir, não sentirei nenhuma dor, me acostumei com sua ausência. Se for, levará contigo o pouco que resta de mim!


1... 2... 3... 4... ... ... 5?? 4.
Sinto uma dor nunca sentida. Minha alma quer se dividir em tantos substantivos próprios e impróprios... sim, é isso! Substantivos impróprios! A estrela, o carro, o chaveiro, o cinema, o piano, a cama, o computador, o caixão (?), o bichinho de pelúcia, a bíblia, o caderno, o livro, o blog, o flog, o videolog, a caixa de e-mails, o msn, o twitter, o facebook, o orkut, o apartamento, a música, as cartas, o cemitério, os segredos, a infância, a adolescência, o amadurecimento, o jogo... Estou me cansando do jogo. Não quero mais brincar! Está na hora de ir dormir... Quero fechar meus olhos e sentir o vento batendo no meu rosto e ter a certeza de não afetar mais ninguém. Ah, como é doce a solidão temida e amarga. Mas preciso, ao abrir meus olhos e esticar meus braços, preciso ao virar meu corpo, que você esteja lá. Não é mais minha única saída. Acho que nunca foi... Mas eu quero. Não, preciso. Quero. Não preciso.

Onde está você? Antes eu olhava para baixo e te via bem ali. Quase tropecei em você diversas vezes. Pisei sem querer, ou não. Mas agora... Onde está? Ao meu lado. Atrás de mim? Nunca! A minha frente, de certo. Espremo meus olhos para ver de longe sua silhueta. Parecem tanto! Será essa a resposta? Será a semelhança e não a diferença? Como somos diferentes e não imagino ninguém tão igual a mim.

Ei, deixe de ser orgulhoso... Diga que me ama e que também me quer! Deixe de ser orgulhoso... Peça desculpas e volte pra mim! Tenha o mínimo de amor próprio para saber que não te quero, te uso e vá embora! Pegue esse seu orgulho que em algum momento guardou na gaveta, e use-o novamente, isso te ajudará a entender! Não me esqueça, tá? Por favor, me prometa... Não me esqueça! Promete que vai me deixar? Feche a porta ao partir. Venha e se aconchegue junto a mim e seu cobertor favorito. Não pode me entender. É a única pessoa que não preciso explicar... Estou confusa e é um direito meu! O que é pior? Sentir falta de alguém sabendo que ela também sente a sua, ou sentir falta de alguém que não se lembra de ti? Ou pior... Se lembra, mas também não faz diferença!

Alguém, por favor, feche as portas do inferno!!!


*Aos garotos de aluguel – A Banda Mais Bonita da Cidade*

domingo, 22 de maio de 2011

Irrelevante - NEOQETA

Meu amor
Essa é a última oração
Pra salvar seu coração
Coração não é tão simples quanto pensa
Nele cabe o que não cabe na dispensa
Cabe o meu amor
Cabe três vidas inteiras
Cabe uma penteadeira
Cabe nós dois

Sinto neste momento um profundo nojo de mim mesma por fazer deste blog um diário. Mas onde mais eu escreveria? Quem me ouviria? Passei anos falando de você, sobre você... me segurando para não ir atrás e te perguntar o que eu fiz? Porque saiu da minha vida assim? Não foi justo! Eu não merecia esse abandono. Tenho raiva de você! Me magoou de um jeito que... que a cada sinal de vida que recebo de você faz  eu continuar minha vida mais tranquila, que eu te perdoaria independente de tudo e qualquer coisa que fizesse, que eu não consigo achar alguém para te substituir. Você saiu da minha vida, mas ficou marcado na minha história.

Você não é bem vindo agora. Você atrapalharia todos os meus planos e tudo o que eu tenho feito, buscado e esquecido. Você traria medos que deixei de sentir a muito custo de volta, traria minha dependência. Você não é bem vindo agora, então por favor volte! Volte pra mim... pra nós! Sentimos tanto a sua falta!

Não volte pra casa meu amor que aqui é triste
Não volte pro mundo onde você não existe
Não volte mais
Não olhe pra trás
Mas não se esqueça de mim não
Não me lembre que o sol nasce no leste e no oeste morre depois
O que acontece é triste demais
Pra quem não sabe viver pra quem não sabe amar

Não volte pra casa meu amor que a casa é triste
Desde que você partiu nada existe
Então não adianta voltar
Acabou o seu tempo acabou o seu mar acabou seu dia
Acabou, acabou

Não volte pra casa meu amor que aqui é triste
Vá voar com o vento que só lá você existe
Não esqueça que não sei mais nada
Nada de você
Não me espere porque eu não volto logo
Não nade porque eu me afogo
Não voe porque eu caio do ar
Não sei flutuar nas nuvens como você
Você não vai entender
Que eu não sei voar
Eu não sei mais nada

*A Banda Mais Bonita da Cidade*

domingo, 1 de maio de 2011

...

Não sou de escrever poesia
Mas me deu um desejo imenso de tentar
Eu prometi que te contaria
Mas a promessa tá difícil de sustentar

Posso ouvir de tantos lados
Que você não me merecia
Mas estou de pulsos atados
E quem não estaria?

Posso ouvir de tantas bocas
Que você não me queria
Foram tentativas tão bobas
Das quais jamais me arrependeria

As respostas que buscava
Estaria nos meus sonhos, talvez
Mas encontrei em quem menos esperava
A certeza que me apaixonei mais uma vez


“Tá certo que o nosso mau jeito foi vital pra dispensar o nosso bom; O nosso som pausou. E por tanta exposição a disposição cansou. Secou da fonte da paciência e nossa excelência ficou lá fora. Solução é a solidão de nós. Deixe eu me livrar das minhas marcas, deixe eu me lembrar de criar asas, deixa que esse verão eu faço só. Deixa que esse verão eu faço só; Deixa que nesse verão eu faço sol.

Só me resta agora acreditar, que esse encontro que se deu não nos traduziu melhor. A conta da saudade quem é que paga? Já que estamos brigados de nada; Já que estamos fincados em dor. Lembra, o que valeu a pena foi nossa cena não ter pressa pra passar.”


O Teatro Mágico

*Preciso dizer que te amo - Cazuza*

terça-feira, 19 de abril de 2011

Amnésia

"E assim, repetindo os mesmos erros, dói em mim ver que toda essa procura não tem fim. E o que é que eu procuro, afinal? Um sinal..."


Ser de vários jeitos torna um ser indeciso, fraco. Sua personalidade fica a mercê do desejo de outros que vivem a sua volta, ele se torna o projeto, o plano, o objeto de outro que busca sabendo o que busca. É estranho.

Era estranho ele lá na beira do abismo tentando se lembrar o que fazia ali. Tinha acordado naquela manhã como qualquer outra. Tomou seu café preto sem açúcar e escovou os dentes com a escova que não trocava a cor fazia anos. O que ele fazia ali? Buscava em sua mente e não se lembrava do trajeto, não se lembrava de ter passado o farol vermelho e mesmo assim chingar o motorista de outro carro sem razão. Fechou os olhos, deixando o ar bater em seu rosto e a paz de um silêncio que a tanto tempo não ouvia, penetrar seu corpo e sua alma. Imaginou como seria pular e sentir esse ar cada vez mais forte e não parar. Era absurdo, não se lembrava do porque de estar ali, mas não queria se matar. Tentava desesperadamente buscar em sua memória porque seus pés o levariam ali.

Ele se sentou na beirada do enorme vazio e como uma criança balançou seus pés enquanto tentava se lembrar. Qualquer um que o visse ali diria que estava prestes a se jogar, mas não era verdade. O que não poderiam entender é que ele tinha tanta certeza que não se mataria que não sentia medo algum de chegar tão perto. Por mais que a vontade e os motivos fossem inúmeros ele sabia que não desistiria. Não tinha coragem, não fazia parte de sua natureza. Ele cansou de tentar se lembrar. Talvez a resposta estivesse no porquê. Começou então a se perguntar porque estaria ali. Lembrou de seus amigos, aqueles que a tanto tempo não via e sabia de suas vidas pelos meios mais distantes. Lembrou de seus amores que tantas vezes fizeram seu estomago se embrulhar e noites se transformarem em dias, sem transformar de verdade sua vida. Lembrou de sua família, as cruzes, as pagas de seus pecados, seus parentes que não podem ser escolhidos e por mais que evitados são na maioria das vezes amados, nem que seja por um instante. Lembrou do trabalho que não era o que tanto estudou e se esforçou, mas era o que o sustentou, até ali. E por fim, lembrou de seus sonhos guardados em uma fronha de travesseiro abandonada no fundo de uma gaveta, mofando.

Olhou para o imenso espaço entre seus pés e o centro do mundo, teve vontade de chamar por seus sonhos. Quantos deles ouviriam? Quantos deles voltariam? Tentou enfim se lembrar do porque tê-los abandonado. Não tinha tempo, não tinha paciência, não tinha força, não tinha oportunidade para realizá-los, mas desculpas... ah, as desculpas... elas sobravam. Teve então a genial idéia de trocar um pouco de suas desculpas pelo que lhe faltava, mas não se levantou. Ficou ali, afinal... pensando em mais desculpas, se lamentando pelas faltas, se livrando de suas amnésias. Deixando que o mesmo vento que fazia seus pés dançarem e sua alma voltar a ser criança, varrerem de sua mente os pensamentos mais surreais, tudo aquilo que o incomodava e fazia sua cabeça pesar e seu coração apertar quase em uma dor física.

Sentado ali, ele se esqueceu do tempo, do carro aberto, da conta a pagar, da janta, da reunião, do amor não correspondido, da amizade traída, da família dividida... Ele sabia que não se mataria, por mais que as coisas fossem complicadas ele não desistiria, não poderia. Mas de sua natureza por vezes perdida, a fuga fazia parte. Era por isso que estava ali, ele fugira mesmo sabendo que iria voltar.


“Uma porta pro infinito, o irreal. O que não pode ser dito. Afinal ser um homem em busca de mais. Solidão, o silêncio das estrelas, a ilusão...”


*Get it Right – Glee*

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Eu não me importo

Um parágrafo pequeno, com frases curtas. Palavras avulsas. Soltas, jogadas no ar. Palavras que pairam por tempo suficiente para entrar em uma mente tão cheia que se torna incapaz de aceitar. Compreender. Algumas se perdem pelo caminho e não serão mais recuperadas, mas não são essas que eu temo. São as que se escondem e ao não serem notadas, ouvidas, ditas, escritas e lidas no tempo certo, acabam por surgir no tempo errado. Palavras de socorro, amedrontadas e repletas de sombras que não as pertence. Palavras não compreendidas. Eu não me importo.

Tempos difíceis e inesquecíveis. Tempos de tantas descobertas solitárias reunidas em um grande grupo de pequenas discordâncias. Ah, tempos confusos. Tempos que se foram e não voltam mais. Tempo perdido. Tempo que foi aproveitado a favor de pensamentos desmerecidos, medos inoportunos e ausência de algo a mais. Busca do tempo perdido. Busco de peito aberto e com uma coragem que só o tempo poderia me forçar. Eu não me importo.

Cada lágrima já foi paga com pequenos sorrisos, daqueles que ficam no canto da boca. Quase imperceptível. Lágrimas que estão guardadas e precisam ser derramadas, para que a divida nunca seja paga. Para que sorrisos não parem de ser dados. Que não só lágrimas sejam capazes de serem derramadas, mas o sangue, que tantas vezes se escorreu por tão menos merecido. Se é a dor passageira que preencherá o buraco permanente; que seja bem-vinda. Eu não me importo.

Se minhas descobertas não interessam e não são desejáveis, que ao menos sirvam como experiência. Da qual não posso mais fugir, não preciso mais fugir. Não quero mais fugir. Me trate como a uma rosa. Se encontre nestas linhas. Não esqueça de meu perfume, da textura de minhas pétalas, e principalmente, do perigo de meus espinhos. Me guarde entre folhas amareladas e tantas vezes lidas de um livro abandonado. Eu não me importo.

Tome conta de meus sonhos. Me espante os pesadelos, mesmo sendo um dos principais motivos para tê-los. Possua meu corpo e minha alma como sendo seus e quando lhe for pedido de forma justa, me entregue meus pertences. Minha liberdade. Até lá, olhe para frente, abra suas mãos e veja o que está em seu poder. Até lá eu não me importo, ele batendo ou não, é seu.


*Defying gravity – Glee*

terça-feira, 5 de abril de 2011

Texto descritivo em primeira pessoa

Eu estava andando em uma rua onde passam por dia milhares de pessoas. Algumas mais esquisitas, outras nem tanto, outras ainda que você pode jurar que não vieram do mesmo planeta que você. Seres estranhos com roupas bizarras e cabelos de cores indefinidas.

Me sentei em uma mesa. Não na mesa propriamente, é claro, mas em sua cadeira que ficava de frente para outra cadeira com a mesa no meio, e esperei para ver o que poderia acontecer. Foi quando o vi. Esse ser, esse estranho, juro ter vindo de outro planeta. Misturava tipos de roupas diferentes e cores que simplesmente não combinavam, ou melhor, combinavam... não sei dizer, afinal nunca entendi a moda. Uma pochete totalmente brega pendurada na cintura e uma postura inaceital. Tinha no rosto traços fortes e delicados. Ombros muito largos e era loiro. Nunca gostei de loiros. Prefiro os morenos. Nada contra loiros e ruivos e muito menos contra aqueles cabelos de cores com nomes de fruta ou doces suculentos. Morenos são muitos mais charmosos e bonitos. Não gostava de loiros. Criatura que chamou minha atenção. Tudo o que não nos é normal nos chama a atenção. Desde que era pequena sempre acreditei que o mundo é um lugar estranho e que as pessoas que nele vivem só podem ser chamados de anormais quando na verdade são normais.

Ele se sentou na outra cadeira que ficava em frente a minha com a mesa no meio. Me olhou. Eu olhei. Ele sorriu. Eu não. Ele parou. Eu sorri. Tudo bem?, ele disse. Eu acenei. Que tipo de pessoa perguntava se o outro estava bem sem nem sequer conhece-lo. Começou então a falar de sua vida e sorria de uma maneira que me irritava ao mesmo tempo que me intrigava. Porque alguém com os dentes tão certos precisava de aparelhos? Talvez fosse para seu queixo que era levemente mais para frente que seu próprio nariz. Pensei em perguntar. Pensei em perguntar muitas coisas das quais nunca tive vontade de perguntar a ninguém. O que você gosta de comer?, eu falei. Muita coisa, ele respondeu. Ser indeciso. Não gosto de pessoas que me deixam confusa. Pessoas indecisas me deixam confusa. Como alguém não sabe o que gosta de comer? Fui para casa.

Minha casa é simples. Um apartamento de três cômodos. Três cômodos razoáveis e mais a lavanderia, que por ser pequena nunca contei como cômodo. Não gostava dela me dava medo. Me dá medo. Sua janela dá direto para o banheiro e quando me sento no vaso tenho a sensação que a qualquer momento uma mão, digo, mãos seguidas de braços longos e brancos vão me pegar enquanto me distraio com minhas necessidades. Por isso nunca me distraio. Ficava pensando no alienígena. Isso me irritou. Porque pensar nele? Me irritou. Pensar que quando estava lá tive vontade de lhe fazer perguntas, despertou meu interesse. Me irritou muito. Não era assim, não me apaixonava rápido. Nunca acreditei em amor a primeira vista. Me irrita demais.

           Me arrumei, colocando uma calça longa e colada que deixava ver o contorno de minhas pernas que na minha opinião são grossas demais para a minha bunda. Um blusa com uma gola diferenciada e preta. Sai. Cheguei no lugar que tinha música alta e pessoas de corpos, bocas e com certeza estavam chegando a colar suas próprias almas. Algo em meu peito pulou. Não existe inveja boa. Eu estava com inveja. Mas uma inveja boa. Resolvi ir pegar uma bebida. Queria colar minha alma. Subi a escada cujo os degraus eram largos e baixos.Um, dois, três, quatro. Quatro degraus. Não gosto de números quebrados, números quadrados me dão aflição. Azar. Bati o pé no chão firme fingindo ser o quinto degrau. Cinco é um número bom. Um braço se esticou na minha frente. Não era afinal um número tão bom. Era ele. O estranho. Estava sentado com alguém um cima dele que não sei bem dizer se era um homem ou uma mulher. Afinal hoje em dia não se define mais o sexo pelo corte de cabelo, pela roupa que usa e muito menos pelo que se tem no meio das pernas. A pessoa era grande. Enorme. Mas o estranho era ainda maior. Nunca fui alta, sempre ficava entre a segunda ou terceira na fila crescente do fundamental. Mas tinha com certeza o dobro de sua largura. Ele sorriu. Eu sorri. Talvez de choque. Ela não sorriu. Com certeza era choque. O que alguém que usa pochete estaria fazendo naquele lugar? Me deixou confusa e indecisa. Não gosto de ficar confusa. Ele falou, mas eu não ouvi. A música era alta. Eu acenei. Ela não se mexeu. Ele sorriu. Eu sorri. Ela sorriu. Senti raiva, ódio, inveja. Mas uma inveja boa. Mexi a mão em um gesto de até mais tarde. Bebi. Até ali só queria beber para acabar com a sede. Bebi. A sede acabou. Bebi. Olhei em volta e uma familiar música começou. A inveja cresceu. Inveja boa. Bebi. Minha bexiga apertou. Bebi. As coisas começaram a ficar estranhas, nubladas, tonta. Bebi. Desci novamente os degraus que agora eram estreitos e altos. Sentei. Imaginei e meu estomago reclamou. Meu coração pulou e a raiva adormeceu. Fechei os olhos. O mundo parou. Tudo passou. Eu estava no colo do estranho no lugar da pessoa de sexo indefinido.

*Tudo Certo - Luiza Possi*

domingo, 13 de março de 2011

Menos para mim, é claro!

É tão fácil se preocupar, mas é tão fácil julgar! É tão fácil magoar!

Eu me sinto, no momento, como um cego em meio ao tiroteio. Literalmente! Parece que quando finalmente me resolvi, me desprendi e fiquei bem, todos – ou a maioria pelo menos – desabaram. Revi meus conceitos e continuo os revendo com grande prazer. Começo a filtrar o que escuto novamente e volto ao meu lugar de natureza: o “do contra”. Sinto-me menos armada, porém mais corajosa.

Como é fácil ganhar poder, não é? Como é fácil exigir a tão sonhada LIBERDADE, nem que isso aprisione outros. Existe um trecho em um dos meus contos que me pertence não só no sentido da escrita, mas no sentido da alma. Acho que ali consegui explicar em palavras um pouco de que sinto em relação a tudo isso que está acontecendo a minha volta. > Eu acreditava no mundo e no ser humano. Eu não entendo como as pessoas podem viver tão no próprio mundinho, realizando seus próprios sonhos, seus próprios objetivos, alcançando suas próprias metas e não olham nem um minuto para o lado e não param para pensar em nenhum momento que seus sonhos podem destruir o de outros. Mas quem se importa não é? Cada um tem o direito de ser feliz! O mundo tem uma concepção de “direito” que jamais entenderei. “Vou ser feliz não importa a que custo porque me é um direito, é o meu sonho e quem não entende isso não quer o meu bem, portanto não merece minha atenção, meu respeito e meu amor!” O ser humano se transformou em uma espécie de monstro devoradora de seus próprios ideais e ética. Suas próprias regras. É muito fácil julgar e muito confortável arrumar desculpas. “A Dentista e o Monstro”

Como somos egoístas! Condenamos aqueles que magoam e/ou fazem mal aqueles que amamos. Mas o que fazer quando o “vilão da vez” é você mesmo? E quando é alguém que também amamos? Neste momento chegam as travas e as tão conhecidas e merecidas justificativas repletas de “mas eu tenho motivos”, “mas eu sou diferente”, “mas a situação não é a mesma”, “mas ele mereceu”, “mas eu avisei, nunca menti sobre isso.”. Tá, tá... a quem queremos enganar mesmo? Eu tenho quase certeza que é a nós mesmos. É tão tentador colocar a culpa no outro. A sensação de consciência limpa – que é diferente da real consciência limpa em si – é tão prazerosa. E o politicamente correto surge para quem for mais esperto e souber melhor fazer o papel de vítima. Fácil é na hora da raiva, de ver as lágrimas no rosto que amamos, tirar o martelo da justiça (própria, é claro) do bolso e sair dando o veredito. E mais bonito é cometer exatamente o mesmo crime no dia seguinte.

Não tenho palavras para descrever o quão magoada, decepcionada, traída e ofendida estou. Quase caio na armadilha, bem a minha cara, de me sentir culpada. Mas eu falei QUASE. Dessa vez não farei isso, dessa vez vou preferir ficar em silêncio e me fazer de idiota e desconhecida, dessa vez não defenderei. Sem falar que todos temos nossos motivos para fazer nossas escolhas e que também temos o direito de errar e sermos humanos, logo que se dane o politicamente correto... menos para os outros, obviamente!


*Hoje eu quero sair só – Lenine*

quinta-feira, 3 de março de 2011

Viagem de uma aluna em crise - Resumo de mim

• Não sei porque insisto em escrever para pessoas que jamais lerão minhas palavras. Por escolha minha!

• A todo momento piso em ovos e meço minhas palavras e atos ao lado de pessoas que são mais importantes para mim, do que eu para elas.

• Que tipo de pessoa sou eu? Em que me tornei? Sou uma boa pessoa? Uma boa cidadã? Uma boa profissional? Uma boa artista? Uma boa filha? Uma boa amiga? Uma boa irmã? Uma boa companheira? Sou boa companhia? Não. Por ser tanto, não sou boa em nada, não me sobra tempo para ser.

• Não me permito mais pensar em ninguém, pois já penso em muita gente. A maioria nunca pensou em mim.

• Tantas vezes me coloco no papel de vilã para que as outras pessoas me coloquem no papel de vítima. Sou minha maior inimiga.

• Quando sou boa, sou boa. Mas quando resolvo ser má, sou foda como qualquer outro ser humano. Minha meiguice e minha delicadeza dão espaço para minha crueldade e manipulação.

• Sou feia ou sou bonita? Sou gorda ou sou magra? Sou inesquecível ou sou enjoativa? Isso tudo realmente importa? A quem? Sim, a mim! Sou fútil e tenho a necessidade constante de me aceitar e me sentir realizada.

• Admirar os atos de uma pessoa não significa querer ser igual a ela. Prefiro me tornar, muitas vezes, uma pessoa de atos falhos, mas alma pura.

• Sou idiota, insegura e infantil. Sou inteligente, racional e madura. Tudo depende da opinião de quem me julga.

• Posso morrer de amor, morrer de ódio, morrer de vontade, morrer de desejo, morrer de inveja, morrer de raiva, morrer de ciúme e você nunca saberá. Posso simplesmente pensar no amor, no ódio, na vontade, no desejo, na inveja, na raiva, no ciúme e te contar cada detalhe que se passou pela minha cabeça e coração – pelo meu corpo inteiro. Tudo depende da confiança que tenho por você.

• Tenho uma amor inesquecível e julgo com impaciência e crueldade quem não consegue, ou não pode, deixar de amar.

• Já disse que em minhas escritas tenho verdades camufladas nas mentiras. Essas são frases de meus textos, minha idéias, meus conflitos... Puro eu!


Crescer foi uma das piores coisas que já me aconteceu! O mundo se revelou cinza e o ser humano um animal. – Um busca da minha Terra do Nunca

Sabe quando você perdeu a confiança em você? E no outro? Sabe quando tem um buraco imenso no seu peito que nada nem ninguém tá conseguindo tampar? – Sabe...

Por que dói tanto abandonar alguém que a gente ama? Mesmo que seja uma dor necessária. Quase um alivio... (...) Perdi a confiança nas pessoas ao mesmo tempo que ainda espero que elas me provem o contrário. Quase imploro pra que elas implorem minha confiança novamente. Perdi a fé pelo meu senso de amizades, de tolerância. – Nem sei mais...

E o que é pior, sempre fui a primeira a apontar o dedo na cara do que ousasse admitir tamanha insegurança, imaturidade, domínio. Poder. Nunca encontrei o que me fizesse entender, ou querer entender. Nunca encontrei o que me fizesse conhecer isso. – Sentido. Isso. Lógica.

Por que eu não tenho coragem de olhar no espelho e falar e assumir o que eu acho? Por que estou com tanto medo de assumir algo que sei que, no fundo, não é verdade. Quem eu quero enganar? – 8 (20) anos de coisas...

O problema é que alguns desses "pequenos acontecimentos" se somam todos os dias e acabam se tornando algo grande e, por vezes, complicado. – Esconde-esconde

Sinto sua falta, ainda, em alguns dias que palavras jogadas no ar sem querer me remetem a velhos tempos. – Sou eu assim sem você

Tudo o que consegui até agora, sendo uma boa menina, foram amizades rompidas, falsas promessas, desconsideração, desinteresse, falta de respeito e, pra finalizar, mentiras e mais mentiras. – Desabafo

Preciso disso, preciso dele porque o amo. Eu o amo. Eu o amo no mundo de faz de conta, no mundo virtual, porque de realidade, basta minha vida. – Roberto

Tenho tantos medos e ergui tantas barreiras, construí muralhas ao meu redor e agora nem eu mesma consigo derrubá-las. É como uma ferida, que de tanto sangrar e cicatrizar deixou não só marcas, mas calos. (...) Manipulo a mim mesma e engano meu coração porque a verdade é que se a cada despedida que te fiz fosse capaz de me afastar, estaria tão longe que nem seus pensamentos me alcançariam mais. (...) Espero que façam buracos e brechas em minhas paredes de proteção, porque eu quero. Mas não posso. – Canhão

Existe tanta coisa dentro da minha cabeça que ela dói de tão oca. Meu coração está tão vazio que quase sedo ao seu peso. (...) Não darei o braço a torcer, ele já foi torcido há muito tempo. Odeio porque amo. Amo odiar. - Clareza

Nunca quis te magoar, nunca quis te decepcionar, nunca quis te machucar, te fazer chorar, nunca tive raiva de você, nem pena (Você não precisa disso.)... então me desculpe. (...) E quanto ao que for meu... deixe comigo, minhas escolhas os afastarão. – Tomei minha decisão

Só quero meu lugar. Quero me achar e me sentir bem. – Trechos da “Minha Carta”

Isso não é um adeus, porque me conhecendo tão bem, deve saber que sou covarde demais para te deixar ir assim. Depois de tanto tempo você deveria me conhecer! Porque não olha para mim e percebe que te grito por socorro? (...) Que seu adeus seja um suspiro de alivio fazendo com que eu quebre todas as minhas promessas que já te fiz, sem ferir o meu ego e meu orgulho. Me machuque para que eu saia como vítima, para contar a todos que a culpa foi sua e não fraqueza minha. – Meu amor,

Peço a SIMPLICIDADE, pois tenho a péssima mania de complicar tudo, de fazer de tudo um drama e de sofrer por antecedência. – Querido Papai Noel,

Ela já sabia dividir pedaços de sua alma e assim lhe entregou o maior deles. (...) Ela escolheu morrer por ele. Ele escolheu viver sem ela. (...) Elas pareciam tão próximas e parecia tão injusto a mulher que ela, tão pequena diante de tudo aquilo, precisasse lutar por sua atenção. A mulher não brilhava, não era bela, não tinha luz. Não mais. – Verde, azul e Lua

Responsabilidade tem prazo de validade? E amizade? Amor? (...) Mas e quando passamos da conta de responsabilidade? E quando não podemos mais nos responsabilizar por mais ninguém? (...)Talvez eu não seja mais responsável por ti, mas você me cativou de tal maneira e seu afeto me afetou de tal jeito que a promessa que sempre lhe fiz, de tantas vezes repetir, a vida se encarregou de me fazer cumprir! – Lingüiça: Eu te amo!

(...) mas não sou como a um santo que só se acende uma vela quando se está no sufoco.(...) sonhos devem ser sim sonhados, mas nem sempre eles devem ser realizados. Contos de fada existem, mas não poderiam deixar de ser histórias e nem por isso devemos deixar de acreditar. – A Dentista e o Monstro

Posso escolher que seja uma das pessoas mais importantes na minha vida, enquanto você escolhe ser apenas mais uma.(...) Quem nos ama, e se aceitarmos e reconhecermos esse amor, nunca nos deixará e quando formos capazes de compreender – me incluo totalmente – isso tudo, deixaremos de perder pessoas insubstituíveis e inesquecíveis. – Destino


*Confesso - Ana Carolina*