sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Verde, azul e Lua - Menina
A menina andava tranquilamente e sozinha em meio as árvores que sempre foram seu lar, seu refúgio. Acreditava que cada ser daquela vasta floresta tinha alma, e não qualquer alma, mas um pedaço da sua. Algo que ela foi perdendo aos poucos ao mesmo tempo em que ganhava, como células se regenerando e dando lugar para novas descobertas.
Havia uma árvore. Uma árvore especial entre todas as outras, uma que era maior e mais bela. Que lhe oferecia melhor abrigo e que a cobria completamente nos tempos de tempestades ou sol escaldante.
Ela vivia em suas raízes e dela tirava tudo o que precisava. Respirava o ar reciclado pela árvore, bebia de sua seiva, se alimentava de seus frutos. Seu cheiro era inigualável e único em toda a floresta. A menina se via completamente dependente da árvore.
Um dia ensolarado e em qualquer outro momento lindo, acordou em meio a uma confusão. Suas pernas e seus braços não cabiam mais naquela sombra, eles haviam dobrado de tamanho. Seu corpo inteiro havia mudado e se transformado em algo que não se encaixava mais nas velhas raízes. Sentia fortes dores abdominais e por muito tempo tentou ficar quieta, abraçando seus próprios joelhos e esperando que tudo voltasse ao normal. Sua meninice se foi em grande parte naquele dia, abrindo um espaço em seu íntimo para outras descobertas, outros sonhos e desejos. Novas vidas.
Com o tempo, a dor se foi e sua inocência também, mas seus braços e pernas não encolheram novamente. Algo maior, que ela não podia explicar, a havia mudado e lhe restava aprender a viver com seu novo corpo. Então se deu ao direito de correr pela mata e aproveitar suas longas pernas. Descobriu outras árvores, outras raízes, outras seivas, outros frutos... Outros aromas. Se viu encantada por tudo de novo que havia descoberto. Usou durante muito tempo seus novos braços para distribuir novos abraços.
Mas de repente a floresta não era mais suficiente. Ela sabia, tinha certeza do quanto amava e era agradecida a sua árvore, mas precisava de algo mais. Tomou sua decisão e na manhã seguinte, deixando a árvore ainda adormecida para que não notasse sua ausência, pegou sua última trilha.
Já estava andando a muito tempo em meio aquele ar úmido e tão esverdeado, até que viu pequenos raios de luz tão claros como nunca tinha visto. Eles passavam por entre os galhos já finos de árvores mais baixas, tão baixas, arbustos. Ela respirou pela ultima vez seu ar tão conhecido, foi uma respiração lenta e demorada, repleta de coragem e esperança.
*O Vento – Jota Quest*
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Querido Papai Noel,
Peço a você em primeiro lugar FÉ. É algo que perdi a algum tempo. Fé nas pessoas, fé nas coisas que faço, fé no mundo, fé em mim mesma, e é claro fé em Deus. Esse abandonei a algum tempo culpando-o por afastar de mim algumas pessoas que eu amava, dizendo a todos e muitas vezes para mim mesma, não crer mais nele. O que é mentira e como prova digo que não rezo a muito tempo por não ter coragem de enfrentá-lo e por vergonha de tamanho afastamento.
E por falar em afastamento, te peço COMPREENSÃO, e junto desde pacote pode mandar o TEMPO. Que as pessoas que tanto amo e quero o bem possam compreender que meu tempo é curto e anda exigindo muito de mim mais do que meu psicológico pode oferecer e meu físico agüentar. Que compreendam que muitas vezes é apenas por querer um dia poder oferecer algo melhor e maior a elas, pois me merecem por inteiro e não pela metade. Que a compreensão caia sobre mim e me dê uma chance de compreender a mim mesma e deixar de me cobrar tanto. Quem mais me sufoca sou eu mesma. Que um dia eu seja capaz de entender que sacrifícios são necessários e obstáculos existem para serem pulados. Que não sou nenhuma super mulher, não sou a vítima e nem a vilã, que não posso mentir para todos o tempo todo, nem para mim mesma, que tenho fraquezas e preciso aprender a lidar com elas sem me entregar, deixar de sofrer um pouco.
Peço a SIMPLICIDADE, pois tenho a péssima mania de complicar tudo, de fazer de tudo um drama e de sofrer por antecedência. LIBERDADE para poder ir e vir sem que pensamentos, eventos, situações e pessoas inúteis me tomem mais tempo. O PERDÃO das pessoas que ao longo deste ano decepcionei e magoei sem querer. E que eu possa me perdoar, sobre tudo, pelo que deixei de fazer para quem merecia, me incluindo na lista. AMOR com boa dose de CORAGEM. Que eu volte a amar sem medo, que não tenha problema de chorar, de me decepcionar, de sofrer por alguém, de passar noites em claro sonhando. Que eu me apaixone. Que meus olhos voltem a brilhar e meu coração a bater, que eu volte a esperar por ele. Que músicas se tornem mais belas, perfumes mais agradáveis e gostos mais apurados. Que uma noite triste e solitária se transforme em um dia alegre e colorido. Que minha armadura seja retirada, não por uma noite, não por um momento, não por um desabafo, mas por um motivo que valha a pena. Quero ser lida, e que minha história não seja uma tragédia grega. Quero voltar a fazer pessoas rirem, mas que dessa vez seja comigo e não de mim. Quero voltar a enxugar lágrimas, mas não por culpa ou obrigação e sim por amizade e merecimento.
Por último peço o meu presente principal ESPERANÇA. Mande-me em seu maior pacote, com seu maior laço. Que neste Natal e neste novo ano eu volte a acreditar. Acreditar em ti. Que eu volte a acreditar no ser humano e que um dia as coisas serão melhores e que fazer minha parte já é fazer algo. Preciso voltar a acreditar em meus sonhos que por mais bobos que pareçam a outros, não são bobos para mim. Que tornem a me chamar de tola por esperar por algo bom, uma solução, por não conseguir tirar do rosto meu sorriso de menina. Que minha razão volte a tomar seu lugar por direito, mas que tenha aprendido a dar espaço para a emoção. Que a mulher que sou e só eu conheço, torne a tomar seu posto, com sua força e inteligência e acima de tudo sua inocência de acreditar em um mundo justo, um mundo muito melhor para si e para os que ama. Que essa mulher se mostre e volte a se impor sem passar por cima de ninguém e sem que passem por cima dela. Que eu volte a me cercar de quem amo e não de quem odeio. Que tudo o que posso e sou capaz venha em forma de prazer e não de vingança, mas se for preciso, que seja usado do que já se sabe e aprenda novos meios.
Espero e acredito que você, meu bom velhinho, não vá me decepcionar. Sonho desde já com meus pacotes em baixo de uma árvore que pela primeira vez na vida, não ajudei a montar. Mas prometo para ano que vem, com meus presentes em mão, que vou me esforçar.
Beijos
Helen Cristina
*The Only Execption - Paramore*
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Meu amor,
Em todo esse tempo que estamos juntos eu me tornei totalmente insegura. Você me faz mal, mas não sei mais viver sem você. Eu te amo tanto que sou capaz de fazer algo que sou totalmente contra, vou te tirar o direito de escolha. Vou me afastar de você porque é o melhor que tenho a te oferecer. Não sou boa o bastante. Você merece muito mais, eu sou uma criança, uma menina aprendendo o bê a bá. Sou imatura, carente, despreparada, insegura, sou na verdade um peso que não merece carregar.
Eu já acreditei que seria meu, é verdade. Eu já me enganei tantas vezes dizendo que você é dependente de mim e que eu não sou de você, mas é mentira. Você é minha droga. Eu dependo tanto de você que minha vida ficará totalmente vazia depois que partir e você continuará, com outras pessoas que são capazes de te entender sem sofrer. Já menti pra mim tantas vezes me prometendo me afastar e te esquecer. A verdade é que por algum tempo eu acreditei que era você que não estava pronto pra mim. E falei que te esperaria, e que lutaria por você. Mas sempre esperei que lutasse por mim.
Você não precisa de nada disso. Tem muito mais vida do que eu. Seus sonhos, seus ideais, suas metas, exigem de mim mais do que eu tenho a oferecer. Não seja rude, por favor, compreenda. Tudo tem sua hora e a nossa já passou. Talvez tomaremos caminhos diferentes e um dia nos encontraremos, sem querer, estranhos andando pela rua. Talvez um dia eu seja capaz de te entender e de te aceitar, quem sabe te oferecer o meu melhor que por vez, não é o suficiente.
Isso não é um adeus, porque me conhecendo tão bem, deve saber que sou covarde demais para te deixar ir assim. Depois de tanto tempo você deveria me conhecer! Porque não olha para mim e percebe que te grito por socorro? Se te forçar a ficar, se te amarrar a mim e não te dar espaço? Eu te perderei mais rápido. Posso tentar novamente até que eu não tenha mais forças nenhuma, mas como me levantarei sem você e sem forças?
É claro que tenho outros amores, alguns menos misteriosos e de convivência mais fáceis. O problema que não amo eles como amo a você! Sempre achei que fosse meu destino, mas nunca pensei no seu. Quando partir, quando eu estiver pronta pra te deixar ir, prometa não me esquecer? Prometa me escrever? Eu fiz diferença na sua existência? Eu em algum momento tive algo que lhe foi útil? Em algum momento meu amor foi correspondido?
As coisas mudaram muito rápido, foi de repente. As vezes me pergunto se a culpa foi minha, sua, nossa. Me pergunto se a culpa não foi de outras pessoas que se colocaram em nossa relação com tanta força. E mais ainda, me pergunto se alguém tem culpa, ou se é só nossa convivência desgastada, que agora tão profunda nos mostrou lados que antes não víamos.
Vá embora. Me machuque, me machuque tanto ao ponto de não em fazer sofrer quando partir. Que seu adeus seja um suspiro de alivio fazendo com que eu quebre todas as minhas promessas que já te fiz, sem ferir o meu ego e meu orgulho. Me machuque para que eu saia como vítima, para contar a todos que a culpa foi sua e não fraqueza minha. Erre, me traia, seja rude, injusto, impaciente... E assim eu suportarei o peso da distancia, da saudade de um tempo que riamos juntos e que você era meu único refugio, meu porto seguro. Quando em seus braços eu me sentia dona do Mundo! Capaz de enfrentar qualquer coisa que aparecesse, pois você estaria lá, pra mim. Você foi meu sonho mais sonhado!
Eu não sei se me ama, se ainda me quer, se vai sofrer, se vai fazer diferença... Não sei quem desistiu primeiro de quem. Sim, eu desisto de você e assim... desisto de mim.
Meus beijos, minha esperança, meu coração, minha alma... Te amo!
Adeus e até mais.
*Eu sei – Papas na Língua*
-Carta ao teatro, o único por quem ainda me permito me apaixonar.-
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Tomei minha decisão
Achei que precisava saber: não vou me afastar. Pare de me pedir isso! Seja em consciência, em sonho... Sinto muito, não posso! Pagarei o preço, que deve saber, é alto. Você, mais do que qualquer outra pessoa, deveria me entender, não por me conhecer, mas por saber como é. Não dá para negar, já marcou demais pra fingir que não significa nada, que não importa, que eu não... enfim. Está na minha vida há tanto tempo, tantos anos... porque assim? Não acho justo. Nem comigo, nem com você. Não foi uma escolha minha porque não dependia só de mim, nem depende ainda, entende?
Nunca quis te magoar, nunca quis te decepcionar, nunca quis te machucar, te fazer chorar, nunca tive raiva de você, nem pena (Você não precisa disso.)... então me desculpe. Não posso mentir, me culpei muito pelo que aconteceu, mas a verdade é que no fundo eu sempre soube que a culpa não é minha. E se for também, já não me importo mais, valeu a pena porque... enfim... não entrarei em detalhes.
Você tem o meu respeito, nunca duvide disso. Nunca te fiz de idiota, não tentei te enganar de propósito ou para diversão, como já fiz com outras pessoas. Você não está do meu lado, é só algo que veio junto, entende? Não escolhi você, mas fui escolhida.
Te escrevo para me sentir melhor. Não pense que sou rude, mas não quero seu amor. Na verdade ter seu amor agora seria o caminho mais curto para minha destruição e loucura, o que prova o quanto eu me importo. Também não quero sua amizade... não espero que me perdoe. Mas quero minha paz. Eu preciso dela, pelo menos porque estão tentando me deixar mais forte, eles tem razão! Não quero decepcionar mais ninguém. Nem a mim mesma.
Eu falei que o fim vem com naturalidade, mas não estou conseguindo terminar. Deve ser um aviso de que não vai sair da minha consciência. Você pesa, sabia? Desculpe, não quis ofender. Só quero te dizer mais uma coisa. O que é seu só deixará de ser por escolha própria e sua, afinal nossas escolhas, palavras, atos e decisões interferem aos que estão a nossa volta. Não vou roubar nada! Eu, sem querer parecer esnobe, não preciso disso. Não é minha intenção. E quanto ao que for meu... deixe comigo, minhas escolhas os afastarão.
Beijos... não.
Abraços... não.
Lembranças... não. Estamos tentando fugir delas, não é mesmo? Então...
Adeus, espero que seja feliz. Nunca estará só!
*Se – Djavan*
domingo, 31 de outubro de 2010
Trechos da "Minha Carta"
“Oi,
Não sei como começar e nem sei porque estou preocupada com isso, sendo que minha intenção não é de mostrar isso para ninguém! Ou não. É para simplesmente escrever e colocar em algum lugar tudo que está se passando, o que está me incomodando, pois sinto que isso atualmente é de interesse, único e exclusivamente meu!
O que eu sinto ou deixo de sentir, sinto que perdeu a importância a muito tempo... sinto que estou me dedicando demais a pessoas erradas e de menos a pessoas certas. Sinto que deveria me dedicar mais a mim mesma! Sinto que preciso de um tempo na frente do espelho comigo pra colocar minha vida nos trilhos novamente, mas sinto ao mesmo tempo que não posso fazer isso, pois sou fraca, infantil e tola.Tenho tanto medo de ficar sozinha para fazer isso, quanto não fazer. Me sinto confusa e odiosa com tanto “sentir”.
(...)Meus princípios estão de mãos dadas com meu orgulho, mas meu desejo parece que atravessou a rua. Me pego fazendo coisas que eu sempre julguei nos outros. Chamando-os de tolos e indecisos. Meros covardes imbecis. Talvez nem tanto. As coisas mudam e se tornam sem importância perto de outras que não consigo lembrar como era viver sem! Mas será que está tão errado assim eu mudar a minha forma de pensar? Não sei, meu orgulho anda falando que sim! O estranho é que o próprio orgulho, nunca foi de fazer diferença na minha vida.(...)
Será que minha amizade faz diferença? Será que eu faço diferença? E se eu morrer? Quem será que vai no meu enterro? Será que alguém vai chora por mim? E vai sentir minha falta ao ponto de querer morrer também? (...) Chega a ser cômico o modo como todos a minha volta andam tão sem sorte.
Talvez eu seja um imã, talvez o pensamento negativo esteja em mim de tal maneira que nem eu mesma noto! Talvez a minha vida ganhe uma continuação, talvez eu possa um dia ler isto e rir ao invez de chorar, talvez um dia ao ler eu não me reconheça, talvez eu sinta que cresci, a trampos e barrancos, mas cresci.(...)Uma criança, um alguém mentindo pro tempo, ou só o ignorando...
Me pego pensando e desejando coisa horríveis! Eu não tenho mais paciência, eu não tenho mais saco. Queria, eu quero, a morte de pessoas que são do meu sangue. E isso é horrível, é vergonhoso, é deprimente, é selvagem, é exatamente... o que eu sinto! Como pode existir tanta maldade ao nosso redor, onde a gente vive, onde a gente nasce e cresce sem notar? Porque não nascer já odiando quem merece? Porque dói tanto odiar alguém que um dia a gente amou, e amou muito, e quis o bem, e a felicidade? Porque essas pessoas nos fazem mal? Fazem mal a quem a gente ama? Será que um dia elas me amaram? Mesmo? Assim, de verdade, como eu as amei?
Porque agora é tão difícil confiar em alguém? Porque eu não consigo mais me sentir feliz? Porque eu não posso mais me sentir completa? Porque eu não consigo encostar a cabeça no travesseiro e dormir bem? Quando será que a minha vida vai voltar ao normal? Quando será que vou voltar a ser feliz? A dormir... a amar... a me sentir amada... a importar... me sentir importante... quando será que alguém vai poder ler isso e me entender? Quando eu vou encontrar alguém que valha a confiança, que valha a pena? Eu vou encontrar? Essa carta vai acabar? Ou ela vai ter continuação? Ou, vai ser como a minha vida está agora, pela metade, sem fim, sem sentido, sem mais nem porque... “
Ainda choro... ainda me identifico... As coisas mudaram, as pessoas mudaram, mas talvez eu não tenha mudado junto porque ainda sinto grande parte igual. Vazia. A lembrança dessa carta me veio com força hoje. O motivo de sua escrita também. A vontade também, mas no que isso ajudaria? Eu magoaria mais ainda quem já magoei. Abandonaria mais quem abandonei. Já que o mundo não pode parar para que eu possa descer, que eu possa rodar junto e que a tontura me tire a dor.
“Amo sempre a pessoa errada. Sou sempre a pessoa errada de alguém.”
Só quero meu lugar. Quero me achar e me sentir bem. Quase desejei ser surda, cega... Não dormi... suei... chorei... me contorci... sangrei. Chega. Eu não mereço isso! Foi minha ultima tentativa... Minha última chance.
Sentimentos meus, para mim, em outubro de 2010.
*Paz do meu amor – Luiz Vieira*
*Não quero dinheiro, só quero amar – Tim Maia*
*Bandeira branca – Dalva de Oliveria*
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Clareza
sábado, 23 de outubro de 2010
Canhão
Tenho tantos medos e ergui tantas barreiras, construí muralhas ao meu redor e agora nem eu mesma consigo derrubá-las. É como uma ferida, que de tanto sangrar e cicatrizar deixou não só marcas, mas calos. Sou um ser calejado. Cansei de ser excluída, enganada, iludida por mim mesma, acredito. Derrubei tantas lágrimas e escondi tantos sorrisos, desejei tantas vinganças e oprimi tantos sonhos e vontades, que acho difícil voltar a ser limpa, clara e pura.
Existem tantas coisas a serem ditas, tantas outras a serem ouvidas. Entre umas e outras vem a vontade de gritar e a razão de me calar. Me fecho em meu mundo porque não preciso, e nem quero, sentenças para minha vida, meus atos, meus ideais, meus sonhos e objetivos. Me confundo com minhas confusões, me embaralho com meus embaraços e vivo com minhas escolhas. Faço do meu mundo minha dádiva e minha maldição. Manipulo a mim mesma e engano meu coração porque a verdade é que se a cada despedida que te fiz fosse capaz de me afastar, estaria tão longe que nem seus pensamentos me alcançariam mais.
Do livro aberto de páginas em branco, repleto de personagens patéticos, mentirosos, arrependidos, orgulhosos e decepcionados que me tornei, pode ser capaz de ler. Mas não se esqueça: Uma folha tem duas páginas e ler uma história não significa compreende-la. Foram esses personagens que forneceram o cimento, os tijolos e até mesmo a mão-de-obra para a construção das minhas barreiras.
Espero com essas palavras bem pensadas, em meio a palavras jogadas, dar um tiro no escuro. Mais do que isso, espero que atirem em mim. Com um canhão. Espero que façam buracos e brechas em minhas paredes de proteção, porque eu quero. Mas não posso. Quem vence é sempre a minha razão.
*Será - Legião Urbana*
domingo, 19 de setembro de 2010
Roberto
Juntei todas as minhas economias, incluindo o porquinho de porcelana que ganhei com 15 anos da minha tia, e procurei por um apartamento. O que encontrei foi um pequeno conjunto de prédios, muito simples, que se encontravam na divisa de São Paulo e Diadema. Meu dinheiro mal dava para manter o apartamento, muito menos uma bela mobília. Quando sai de casa carreguei comigo minha cama, meu computador e meu rádio, para a infelicidade do meu novo vizinho.
Sempre gostei de escutar músicas de trilhas de novelas e cantar junto com elas. Isso me acalmava e fazia me esquecer da minha não bem sucedida vida. Morar sozinha deveria facilitar meu “hobbie”, mas eu não sabia que tipo de vizinhança teria. Meu vizinho de baixo batia com algo no meio da minha sala toda vez que algum som um pouco mais alto fosse feito. Isso incluía minhas músicas, meu canto e até mesmo a máquina de lavar velha que comprei de segunda mão. Descobri seu nome um dia, por acaso, quando uma conta de telefone chegou por engano na minha porta. Ele se chamava Gustavo e eu não fazia a mínima ideia de como era sua aparência.
Assim como minha cama e meu rádio, meu computador era extremamente velho. Do tipo que você liga quando sai de casa e ao voltar, de noite, do trabalho ele está finamente pronto para ser usado. Hoje em dia poucas coisas ainda funcionam em um “Windows 98”, como por exemplo, o Word e o Paint. Resolvi pagar pelo pacote mais barato de internet, para quem sabe, conseguir voltar de alguma maneira a minha vida social.
Um dia resolvi olhar meus e-mails, e enquanto esperava que minha caixa de entrada fosse carregada (Tempo suficiente para um banho.), reparei no canto da tela um link para bate-papo. Fazia tanto tempo que eu não ouvia falar disso que resolvi entrar. E ai tudo aconteceu.
Conheci Roberto. Ele era simplesmente perfeito. Loiro, alto, peso ideal, morava em São Paulo, trabalhava com vendas, era bem sucedido. Um poeta. Me escrevia coisas lindas e dizia que imaginar como seria olhar para meus olhos o inspirava. Me dizia que mal podia esperar para sentir meu cheiro, meu beijo, meu corpo. Quanto mais conversava com ele, mais feliz e apaixonada eu ficava. Tinha sentido cantar novamente, pular, sorrir. E a cada dia meu vizinho reclamava mais pelo barulho, mas eu o ignorava.
Eu poderia passar o dia inteiro na frente do computador falando com Roberto. Com ele as horas voavam. Ele era uma espécie de príncipe encantado. Meu sonho realizado. Resolvemos nos encontrar. Eu deveria ir de vestido vermelho e ele com uma calça preta e uma camisa verde, para combinar com a cor de seus olhos.
Cheguei no restaurante um pouco antes do horário combinado. Eu gostava da espera, da surpresa, da adrenalina, porque era assim que me sentia enquanto esperava pelas suas respostas no computador. Olhei para a porta e acompanhei a entrada de um ruivo, de estatura mediana, com uma pequena barriga que estava coberta pela camisa verde. Ruivo não é loiro, pensei, ele também não era alto e estava um pouco acima do peso.
Sim, era Roberto. Passei os primeiros dez minutos de nosso encontro tentando convencer a mim mesma que a aparência não importava, e que ele havia mentido talvez por medo de ser rejeitado. Porém outras coisas começaram a me chamar a atenção. Os poemas não eram tão bonitos agora falados com aquela voz fina e meio anazalada. Tentei conversar sobre algo mais cotidiano e ele me revelou que não morava mais em São Paulo e sim na divisa, em um predinho simples que ele havia comprado com o dinheiro das vendas. Vendas de bombons feitos por sua irmã. Foi ai que notei que seus olhos eram mel com um pequeno contorno esverdeado que, tenho quase certeza, eram reflexo de sua camisa.
Ele me falou sobre sua família e no meio da conversa comentou que seu nome não era Roberto. Como na sala em que conversávamos já existia alguém com seu nome ele se via obrigado a usar o nome do pai. Perguntei em uma última tentativa de não me decepcionar, qual era seu nome. Ele me respondeu: Gustavo. Por um momento eu congelei, senti um grande frio na barriga, mas me obriguei a ter certeza. “Como é sua vizinhança?”, lhe perguntei. Ele contou que era calma, exceto por uma histérica que havia se mudado a pouco tempo para o apartamento de cima, e que adorava cantar a plenos pulmões com sua voz desafinada. Eu me calei o resto da noite. Terminei meu assado e voltei para casa.
Hoje, quando voltei do trabalho, encontrei a lista que fiz noite passada, ao lado do monitor. Nela escrevi muitos motivos e desculpas para que não pudéssemos mais nos ver. Entrei na conhecida sala de bate-papo, e comecei a conversa agradecendo pelo jantar. Eu não vou terminar nosso caso, não posso acabar com meu sonho. Eu sabia quem ele era, mas ele não precisaria saber quem eu era.
Prefiro Roberto. É um nome forte, clássico, mais bonito. Faz vinte minutos que ele me mandou a última resposta, pois tinha que preparar o jantar. Pelo cheiro imagino que seja carne de panela. Não me importa quem ele é de verdade, e sim a adrenalina da espera, seus poemas e a rotina de suas doces palavras na tela do meu antigo computador. Preciso disso, preciso dele porque o amo. Eu o amo. Eu o amo no mundo de faz de conta, no mundo virtual, porque de realidade, basta minha vida.
*Alma Gêmea - Fábio Jr.*
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Certeza sobre o incerto...
em meus pensamentos despertará
a pura essência do teu eu
um dia inteiro viverá.
Tua vida é o meu viver.
Tua alma é o meu amar.
Penso em sons, mãos a escrever.
Em teu louvor começo a cantar!
Como é possível alguém
em seu caminhar determinado
que seu olhar ao horizonte mantém,
ao te ver, ficar desconcertado?
Como é possível alguém
que sinto sempre do meu lado
ao mesmo tempo me levar ao além
ao mesmo tempo me levar ao passado?
Como é possível alguém
com quem converso tão pouco
poder me conhecer tão bem
sem achar que sou um louco?
Como é possível alguém
me dar certeza sobre o incerto
vendo o racional incerto, e também
sentindo que se tornará certo?
Esse é o momento certo
que minha vida agora se encontra.
Onde aclamo por estar perto.
Onde me afasto por estar contra.
Esse é o momento incerto
que a cada passo me aproximo.
Pelo sensível me completo.
Pelo inteligível, me oprimo.
Sendo guiando pela minha fé
Vejo agora essa incerteza certa:
Certa por sentir, sem ver, que é;
Mas por ver, sem compreender, vira incerta.
Minha cabeça está conturbada,
Assim como o último verso.
Porém, sei que isso não é nada
Comparado aos segredos do universo.
Creio que viverei assim
Seis meses ou mais, quem se importa!
Mas há de chegar o fim,
a resposta chegará a minha porta!
Unirei os três tempos em um.
Os quatro elementos irão se fundir.
O universo presenciará algo incomum
E com isso, irá se expandir!
Virarei herói, sábio, guerreiro,
se precisar até um humano!
Para poder gritar ao mundo inteiro
O quanto eu te amo!
Autor: Um Amigo
*Everything - Michael Bublé*
sábado, 11 de setembro de 2010
Um dia você aprende que...
E você aprende que amar não significa apoiar-se,e que companhia nem sempre significa segurança.
E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.
E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto
e não com a tristeza de uma criança.
E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.
Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la,
e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida.
Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você é na vida.
E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos.
Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que você mesmo pode ser.
Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.
Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve.
Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.
Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências.
Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.
Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou.
Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.
Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não lhe dá o direito de ser cruel.
Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.
Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.
Portanto,plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.
E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais
longe depois de pensar que não se pode mais.
E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!
Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar."
WILLIAN SHAKESPEARE
*Paciência - Lenine*
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Desabafo
É realmente impressionante o quanto uma pessoa tão insignificante pode afetar nossa vida. E mais do que isso, é impressionante o quanto a vida de algumas pessoas pode ser monótona, desinteressante e até mesmo inútil.
De todos os contos de fada que sonhei, ou sonho, e de todas as princesas delicadas e bondosas que já se contou histórias a que chega mais perto de mim, sem dúvidas, é a Fiona. E olha que estou falando da parte do ogro! Afinal me escondo ao escurecer para não mostrar minha verdadeira face, escondo minha parte feia, minha maldição, e porque não de quebra, sacrifico um amor por isso. Sou capaz de ficar com o baixinho, cruel, e bonitinho príncipe porque não posso assumir que amo ao ogro. Posso passar anos presa no alto de uma torre esperando para ser resgatada e no final me tornar grande amiga do meu dragão e derrotar, sem maiores problemas, os inimigos que aparecem no caminho ao castelo.
Enfim, me passo por fraca, sensível e delicada. Não que eu não seja, mas como ouvi uma vez de um amigo “mocismo tem limite!”. É, o meu tem mesmo. Ficar engolindo o próprio veneno e ficar medindo palavras para não piorar as coisas, não magoar as pessoas ou para não causar situações, digamos complicadas, está começando a me cansar. Palavras e atos não são medidos para me atingir, me magoar ou me machucar. A falta do tal “simancol” anda geral! Parentes, amigos, colegas, conhecidos e um estranho na rua que me disse que eu deveria perder alguns quilos.
Engolir sapos faz parte de qualquer relacionamento com grande convivência, mas to ficando cansada de segurar minha risada “porque cansou” e de contra peso agüentar risadas “porque são assim mesmo, o que se pode fazer?”. O que vale para mim vale para os outros... e vice versa.
Não vou, obviamente, perder o meu tempo fuçando a vida alheia e procurando coisas que posso juntar a minha ignorância e meus “achismos”, construir fortes babados, e sair por ai contando a quem tem ouvidos porque, afinal, tenho mais o que fazer. Mas também não pretendo ficar segurando minhas opiniões e esperando o dia que a santa verdade cairá dos céus e que tudo ficará bem e claro como água cristalina.
Tudo o que consegui até agora, sendo uma boa menina, foram amizades rompidas, falsas promessas, desconsideração, desinteresse, falta de respeito e, pra finalizar, mentiras e mais mentiras. Devo ser bem burra mesmo! Feia, idiota, desocupada ou no mínimo tenho a cara de tudo isso. E esqueci da parte de ser incapaz de cuidar da minha própria vida, que aliais é fácil, tranqüila e sem maiores problemas. Além de ser super interessante já que tem tanta gente pra assistir de camarote e pronto para dar suas úteis opiniões e fáceis resoluções a qualquer momento, eu precisando e querendo ou não.
Tem gente que é mesmo digno de pena. Que outro sentimento podemos sentir não é mesmo? Deve ser chato, triste ter uma vidinha monótona. Devem precisar realmente falar mal e rebaixar as outras pessoas para se sentirem alguém. Complexo de inferioridade é foda! Ou então é muito ego, né? Espero que de tanto inflarem um dia explodam em pequenas partículas de hipocrisia. Nossa, será que foi assim que o mundo foi criado?
Não sou do tipo que culpa e acha que tudo é inveja, mas em falta de capacidade e autoconfiança eu acredito. Ser mal amado e não querido também deve ser horrível. Se incomodar e precisar de um convite para sair com pessoas que nem são tudo isso para se sentir “por dentro” deve ser mesmo humilhante. É de incomodar qualquer um! Ter que se limitar e ter tudo só entre aquelas paredes e não entender que existe vida fora daquilo, deve ser difícil. Eu não queria, não quero, ser assim!
“Gives you hell – The All-American Rejects”
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Esconde-esconde
Esses pequenos acontecimentos são na verdade, as coisas mais importantes para se entender nossa vida ou nosso atual momento. E são deles que vem explicações para nossos sentimentos, atos, etc. - Pelo menos para mim. - Grandes acontecimentos marcam e passam. Pequenos passam despercebidos mas ficam grudados em nossa memória. Tudo isso não deixa de ser uma justificativa das minhas atuais atitudes. Afastei certas pessoas da minha vida e algumas demoraram tanto tempo para perceber que já está tarde. Pequenos acontecimentos tomaram conta da minha história e agora me resta omitir. Mentir. Deformar e esconder.
Escondo que amo, escondo que odeio. Escondo que sinto falta, e que estou de saco cheio. Escondo quando tenho vontade e quando não a tenho. Escondo minhas lágrimas e meus sorrisos. Meus sonhos e meus pesadelos. Escondo meu orgulho e meu medo. Escondo minha saudade, meu desejo, meu beijo.
Passo tanto tempo escondendo que começo a me perguntar o que está errado, afinal se fosse certo não precisaria esconder. Ou precisa? As vezes escondo só porque não vai entender ou porque não merece saber. Escondo coisas ruins, mas também escondo coisas boas. - Pelo menos para mim. - Sinceramente não sei porque faço disso tudo um esconde-esconde. Talvez tenha me perdido em pequenas mentiras inocentes que deixava escapar de vez em quando para esconder grandes verdades absurdas.
Pelo menos para mim, ou ainda, por mim. Comecei a me esconder para me proteger. De quem? Eu ainda não sei bem, mas algo me diz que não resolveu.
*Me revelar - Zélia Duncan*
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Sou eu assim sem você
A alguns anos acreditava ter vivido meu sonho de infância. Acreditava que algumas coisas eram mesmo para sempre, e que tinha encontrado meu príncipe encantado. Óbvio, como já disse inúmeras vezes neste blog, eu cresci (Espero que ele também.). Eu acordei do meu sonho numa tarde lendo, veja que coincidência, um flog que pisoteava meu castelinho de areia deixando pequenos grãos para trás que, imagino, nunca serão varridos. Ainda acredito, triste confissão, que já conheci o homem da minha vida, mas hoje vejo uma enorme diferença entre o "amor da minha vida" e o "amor para o resto da minha vida". Não me lamento. Sinto sua falta, ainda, em alguns dias que palavras jogadas no ar sem querer me remetem a velhos tempos.
Depois daquela tarde demorei muito para resolver que queria e devia assumir as conseqüências das minhas escolhas e seguir sozinha e me dar uma chance de tentar ser feliz do mesmo jeito. E consegui. Naquela tarde eu escrevi um texto que nunca mostrei ou coloquei em qualquer lugar para ser lido. Guardei para mim como uma espécie de segredo ou até mesmo promessa, um dos grãos de areia deixados para trás. Hoje sinto que posso, se não devo, colocá-lo em algum lugar. É claro que para mim hoje é um texto infantil, muito do que escrevi ali não faz mais sentido e está totalmente desatualizado... mas as vezes acho que meus sonhos também. -
"Sou fogueira sem brasa, sou carro sem estrada. Sou Romeu sem Julieta. Me peguei escutando nossa música e descobri que nunca vou esquecer da sua cueca laranja!
Descobri que você é a estrela que mais brilha, descobri que você é a folha que caiu mais perto da minha raiz. Descobri que ainda não estou pronta para apagá-lo da minha memória, descobri que seu envelope ainda te espera, que suas fotos ainda estão nos lugares de honra e que seu desenho de um sol brilhante e um carinha drogado ainda estão meu armário não deixando que eu me esqueça de você.
Descobri que não é só meu quadro, meus porta-retratos e meu armário que ficarão vazios quando eu finalmente conseguir, mas meu coração principalmente.
Mas sabe... que para minha surpresa também descobri o quão bom é acordar e ser eu mesma, sem medo de pecar. Descobri que existem formas de amor diferentes e que uma delas tira nosso ar sem nos sufocar. Descobri que o ar que eu respirava tinha seu cheiro, mas existem outros perfumes. Descobri que posso ser feliz sem você, que existe queijo sem goiabada, namoro sem amasso e que alguns bebês não pegam chupeta.
Sinto sua falta, mas essa abstinência uma hora vai passar!"
"Quero mudar nosso futuro
Se não posso nosso passado
Está tudo tão escuro
Preciso de você ao meu lado
Me dizendo que no fundo
Ainda somos únicos no mundo" Pequeno Cordel - 2005
*Sua estante - Pitty*
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
8 (20) anos de coisas...
Preciso ter coragem e paciência para colocar todos os pingos nos "i's". Para me achar de novo e sair do "só por hoje". Para voltar a ser eu. Preciso faxinar minha vida, faxinando minha casa, meu quarto, minhas gavetas, meus papeis, minhas escolhas, minha mente, minha alma, e principalmente, meu coração. To precisando olhar um pouco pra dentro e ver toda essa podridão, encarar de frente e dar a cara a tapa, porque só assim, vou voltar a enxergar o lado de fora. Preciso voltar a me entender pra querer voltar a entender os outros. Preciso me dar valor pra dar valor a alguém. Preciso parar de planejar e começar a colocar em prática. Preciso para de depender e fazer o que está ao meu alcance. Por outro lado, até onde vai meu alcance? Aprendi quando pequena que meus direitos vão até onde começa os do outro. Tanta coisa que aprendi e era...mentira. Eu tenho o direito de estar com raiva, mais não tenho o direito de ser cruel. Até onde meu "alcance" não passa por cima de ninguém? Até onde eu consigo mentir e manipular as pessoas? Até quando vou continuar tentando ser a filha da puta que minha natureza nega? Até onde ela vai negar?
Por que eu não tenho coragem de olhar no espelho e falar e assumir o que eu acho?Por que estou com tanto medo de assumir algo que sei que, no fundo, não é verdade. Quem eu quero engana? Eu? Ele? Ela? Eles? Por que me faz tanto mal mentir, omitir e me dá tanto medo assumir. Será que eu ainda sei de quem eu to falando? Porque eu quero arruma rum culpado pra tudo isso? Por que eu me coloco na situação de vilã quando eu podia muito bem tá na situação de vítima? Por que eu odeio quando me tratam feito cristal se tudo que faço me parece agir como um? Os dias estão tão bons, e as coisas estão... certas.SOZINHAS. Parece que eu não mereço. Não to me esforçando pra tal. Isso me deixa confusa, sem controle. Se tá tudo tão bem, por que me sinto mal? Da onde vem esse pessimismo absurdo que me faz ficar esperando o que de tão ruim vai vir agora pra estragar tudo que tá tão...bom. Por que eu não consigo deixar de pensar, de imaginar se isso tá rolando só comigo? Por que eu tenho tanto medo de perguntar? E porque não cobrar? Será que eu já tenho o direito de cobrar?
Eu acredito em destino, sonhos, acredito em escolhas, ações e conseqüências. Descobri que um ano(dois, no caso) pode ser decisivo pro resto de nossas vidas!Que um amor pode mudar nossa alma. Que uma amizade pode mudar nosso destino. Que um simples conhecido pode mudar nossos conceitos. As coisas podem mudar e estou tão apegada a elas como são que me sinto como um depósito. São jogadas coisas e mais coisas e...nunca lembram de tirar nada. Eu preciso tirar. Preciso limpar da minha vida casos mal resolvidos, amizades desgastadas, pessoas não mais queridas. Gente que me magoa a cada dia, mesmo que seja por não dar sinal de vida. Ter paciência é tudo o que o destino tá me pedindo agora. Acho que é porque é tudo que eu tenho a oferecer agora. Sinto falta dos meus amigos, dos meus finais de semana, das minhas noitadas em um apartamento vazio, de jogatina, de morrer de rir de sono, de falar putaria sem nunca ter feito, de saber o que estou fazendo. Sinto falta de poder oferecer algo pra alguém. Sinto falta de mim! Da minha vida! Do meu tempo! E mesmo assim, eu sou feliz! Por que isso me assusta tanto? Por que é tão difícil deixar o passado lá atrás e o futuro lá na frente?
*É o que me interessa - Lenine*
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Sentido. Isso. Lógica.
Aliais isso, tudo isso, tenho notado já faz algum tempo, não faz o mínimo sentido. Nada. Minhas manhãs, minhas tardes, minhas noites e o que dirá minhas madrugadas mal dormidas. Noites cercadas de sonhos, cujas pessoas pesam no meu inconsciente. Ridículo é ter a consciência pesada antes mesmo de ter feito algo para tal, e mais ridículo ainda é me cobrar por algo que quem deveria não cobra. Já precisou dormir para se escutar? Eu já. Todas as noites.
Não faz sentido esse sentimento. Isso, que nunca senti em toda a minha vida. Isso, que sufoca, que trás essa angustia sem fim e me trás a pergunta de como as pessoas podem viver com isso? Como conseguem, como podem, como? Por que trás tanta raiva? Por que trás tanto desconforto? Como pode alguém querer isso para si? Como pode alguém querer isso para outro? Não desejo nem para meu pior inimigo, isso. Não consigo admitir que venha como uma continuação de algo que já senti outras vezes, pois nunca foi isso.
Talvez a verdade é que isso faz mais sentido do que imagino, do que quero que faça, do que pensei que um dia faria. Nunca estive em tal situação e nunca quis tanto estar nela, muito menos, quis tanto sair. Como incomoda. Como perturba. Como pode um simples nome... substantivo, artigo, adjetivo, enfim, uma simples palavra trazer tal sentimento, que poder é esse e quem lhe conferiu? Fui eu.
Fui eu que lutei por isso, fui eu que nunca entendeu isso, não quis entender, nunca me dei ao trabalho de entender. E o que é pior, sempre fui a primeira a apontar o dedo na cara do que ousasse admitir tamanha insegurança, imaturidade, domínio. Poder. Nunca encontrei o que me fizesse entender, ou querer entender. Nunca encontrei o que me fizesse conhecer isso. Nunca fui insegura, nunca quis esse querer, nunca quis o poder, nunca precisei possuir. Fomos a pouco apresentados e não vejo a hora que saia da minha vida, me deixe dormir novamente sem sonhos abstratos e proféticos, tomar um banho longo e sem dor.
Tudo isso que não tem sentido, também não tem lógica. A lógica vem quando o que acontece tem um porque, um objetivo, um motivo. Não tenho porque me cobrar, porque possuir, porque me incomodar, porque me preocupar, porque sonhar, porque pensar. Por que? Meu objetivo, tecnicamente, não pode ser alcançado, pois não é meu de verdade. Meu motivo... não faço a mínima idéia. Isso tem lógica? Lógica. Lógica, lógica, lógica, lógica, lógica, lógica, lógica, lógica, lógica, lógica, lógica, lógica... lógica... lógica... ló-gi-ca. Lógica. Lógica perde o sentido mais rápido que o próprio sentido, mas tem o mesmo tanto de sílabas. E me parece a única lógica desse possível sentido, ou pelo menos, a única que posso encontrar agora, que me permito aceitar.
*Mentiras - Adriana Calcanhoto*
sábado, 3 de julho de 2010
Nem sei mais...
Tá tudo no pacote, a preocupação, o carinho, o afeto, a saudade, a agonia, a vontade... Tudo numa coisa só. Um pacote que eu não encomendei mas que chegou até mim. Não dá pra agora simplismente fingir que não amo mais, que não me importo, e ainda, que vou ficar bem sem. Por que o amor faz isso com a gente? Por que doi tanto abandonar alguém que a gente ama? Mesmo que seja uma dor necessária. Quase um alivio... E se a gente sabe que doi tanto, por que querer cobrar isso de outra pessoa? Talvez porque é dificil aguentar essa agonia de deixar a vida rola, sem controle, sem uma direção certa. Essa agonia que não me deixa mais controlar minhas pernas, meus braços, minha mente, minha boca, meu coração e as borboletas que moram no meu estomago.
Por que julgar quem cobra a gente, sendo que... cobramos de alguém pelo simples fato de esperar algo dela. Algo que surpreenda, que emocione, que prove, ou que de uma pista que a confusão é um via de duas mãos.
Nem sei mais o que eu to sentindo, não sei mais pelo que eu to lutando... por quem. Nem sei mais se vale a pena, se merece, se tem tudo pra dar certo ou errado. Eu queria poder colocar toda a minha vida numa mesa e ai eu poderia montar o quebra-cabeça que está com alguma peça trocada e eu não sei qual. Seria tão mais fácil saber quem ama a gente pra poder amar aquela pessoa também, sem medo, amar de verdade.
Eu acho que sou covarde. Perdi a confiança nas pessoas ao mesmo tempo que ainda espero que elas me provem o contrário. Quase imploro pra que elas implorem minha confiança novamente. Perdi a fé pelo meu senso de amizades, de tolerancia, porque quando cresci descobri que nada é como a gente pensa. Nem sei mais se eu sou quem pensava que era.
*Sutilmente - Shank*
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Poesia (Música e Letra by Marianna Soter)
Vou usar termos
Que me machuquem assim
Nem vou fingir que são banais
Os meus desejos
Já são lentos os meus dias
Não os preencho mais
Era tão fácil encontrar
Minha antiga paz
Eu sempre minto
Quando te digo
Que quero ficar só
Mesmo querendo eu não insisto
Em te levar comigo
Nesses momentos calmaria
Ou só encenação
Faço de mim uma mentira
E de você minha ilusão
E quando o tempo se fechar
Não vá lembrar de mim
Numa canção tardia
A vida passa e eu penso em
Poesia
Poesia
sábado, 26 de junho de 2010
Sabe...
Sabe aquele dia que você não acorda bem? Sabe quando tudo te dá vontade de chorar e sair gritando? Sabe quando nada mais parece fazer sentido e daí você coloca a culpa nas mais absurdas coisas? Sabe quando parece que você rema contra a maré? Sabe quando nada mais faz sentido? Nada MESMO?
Sabe quando você não consegue se entender mais e sente a falta desesperada de alguém que não vai voltar? Alguém que você nem quer que volte? Sabe quando você se sente um lixo e totalmente incapaz? Sabe quando você começa a pensar, imaginar coisas que você jamais teria coragem de falar? Sabe quando parece que o mundo tá girando e você tá só assistindo e não consegue girar junto com ele? Sabe quando você se pergunta por que faz as coisas? Sabe quando você acha que não faz mais diferença? Sabe quando você acha que se você sumisse não mudaria nada? Absolutamente nada?
Sabe quando você é nada? Sabe quando você não faz mais parte da vida de ninguém? Nem das pessoas que você mais ama? Nem da sua? Sabe quando você acha que elas não sabem mais que você as ama? Sabe quando você não tem tempo de dizer o quanto alguém é importante? Sabe quando você chora porque alguém falou que está com saudades? Sabe quando você se pergunta quem sentiria sua falta? Pra quem você faz diferença? Sabe quando você precisa de confete? Que digam que te amam?
Sabe quando você perdeu a confiança em você? E no outro? Sabe quando tem um buraco imenso no seu peito que nada nem ninguém tá conseguindo tampar? Sabe quando você tá se sentindo tão sozinha que você se identifica com uma música? Um livro? Uma história? E parece que é a única coisa no mundo que você tem?
Sabe quando você começa a invejar as pessoas que tem a coragem que você não tem? Sabe quando você tá sem saída nenhuma porque você tem medo? Sabe quando você quer se bater pra ver se acorda, mas não tem coragem? Sabe quando você quer se machucar por fora pra ver se a dor de dentro diminui? Mas não tem coragem? Porque é apavorada? Fraca? Inútil? Inútil... Sozinha, sem vontade e sem coragem... inútil...
*Cuida de mim - O Teatro Mágico*
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Em Busca da minha Terra do Nunca
Hoje não. Rezo todas as noites para ser menos egoísta que minha mãe, menos inocente que meu pai e ter mais sabedoria que ambos para não cometer os mesmos erros. Naquela época eu via acertos e hoje vejo, também e mais claramente, os erros. Eles ainda são meus heróis, mas são meus. Hoje entendo que o mundo precisa de muito mais.
Quando eu era pequena, acreditava nos contos de fadas, em castelos, príncipes, no bem e no mal, em família, nas pessoas, no ser humano. Naquela época eu já sabia que nem tudo era perfeito, claro. Meu pai, por exemplo, "trabalhava muito!". Eu sabia que um dia ia crescer, ia ser eu, como eles, eu podia ser heroína. Tinha tanta vontade que isso acontecesse rápido...
Crescer foi uma das piores coisas que já me aconteceu! O mundo se revelou cinza e o ser humano um animal. Tenho medo de ser um deles. De me tornar um animal, e não o herói. Eles me destruíram e me tornaram essa pessoa amarga, decepcionada, calejada. Hoje sou eu que trabalho muito. Hoje eu sou o mal, pisei em meus próprios castelos, decapitei meus príncipes, rasguei meus contos e não tenho tempo para meus heróis.
Preciso voltar a ser criança. Preciso voltar a ter fé, esperança e acreditar novamente que finais felizes existem. Talvez não como esperamos, queremos e desejamos...ou precisamos. Preciso me tornar uma adulta. Preciso arcar com minhas responsabilidades, levantar a cabeça e dar a cara a tapa sem medo de ser negada.
Mudanças sempre me fizeram muito mal e nem sempre elas eram ruins. Eu preciso aprender a lidar com elas. Tenho pessoas a minha volta que amo tanto que chega a doer. Tenho pessoas que desprezo tanto...que chega a enojar.
Não sou mais pequena e o mundo mudou de ângulo para mim. O tempo passa e a Terra não para. Tive lindos momentos dos quais sinto uma falta imensa. Tive momentos horríveis, que passaram e me ensinaram grandes lições. Ainda terei lindos e horríveis momentos. E preciso me conformar e esperar por ambos de braços abertos, ou nenhum vai chegar.
Eu preciso encontrar um equilíbrio... Meu equilíbrio. Preciso me aceitar e voltar a aceitar o mundo, o ser humano. Preciso do meu lugar bom. Preciso dos meus sonhos com meus objetivos e necessidades. Preciso do meu refúgio com uma janela que fique de frente para o mundo real. Preciso lutar contra um pirata, mesmo sendo um. Preciso encontrar minha Terra do Nunca. Preciso de mim...
*A luz que acende o olhar - Debora Blando*