quinta-feira, 24 de junho de 2010

Em Busca da minha Terra do Nunca

Quando eu era pequena, acreditava que meu coração não se enganava, e que aqueles que eu amava estavam sempre certos, heróis. Naquela época eu não sabia a diferença entre meus heróis e os heróis do mundo. Eu olhava para os meus pais e sentia um orgulho que quase não cabia no meu peito. Eu queria ser igual a eles. Eu queria ter o carinho da minha mãe, a bondade do meu pai, a inteligência financeira, política e pessoal de ambos.
Hoje não. Rezo todas as noites para ser menos egoísta que minha mãe, menos inocente que meu pai e ter mais sabedoria que ambos para não cometer os mesmos erros. Naquela época eu via acertos e hoje vejo, também e mais claramente, os erros. Eles ainda são meus heróis, mas são meus. Hoje entendo que o mundo precisa de muito mais.

Quando eu era pequena, acreditava nos contos de fadas, em castelos, príncipes, no bem e no mal, em família, nas pessoas, no ser humano. Naquela época eu já sabia que nem tudo era perfeito, claro. Meu pai, por exemplo, "trabalhava muito!". Eu sabia que um dia ia crescer, ia ser eu, como eles, eu podia ser heroína. Tinha tanta vontade que isso acontecesse rápido...
Crescer foi uma das piores coisas que já me aconteceu! O mundo se revelou cinza e o ser humano um animal. Tenho medo de ser um deles. De me tornar um animal, e não o herói. Eles me destruíram e me tornaram essa pessoa amarga, decepcionada, calejada. Hoje sou eu que trabalho muito. Hoje eu sou o mal, pisei em meus próprios castelos, decapitei meus príncipes, rasguei meus contos e não tenho tempo para meus heróis.

Preciso voltar a ser criança. Preciso voltar a ter fé, esperança e acreditar novamente que finais felizes existem. Talvez não como esperamos, queremos e desejamos...ou precisamos. Preciso me tornar uma adulta. Preciso arcar com minhas responsabilidades, levantar a cabeça e dar a cara a tapa sem medo de ser negada.
Mudanças sempre me fizeram muito mal e nem sempre elas eram ruins. Eu preciso aprender a lidar com elas. Tenho pessoas a minha volta que amo tanto que chega a doer. Tenho pessoas que desprezo tanto...que chega a enojar.

Não sou mais pequena e o mundo mudou de ângulo para mim. O tempo passa e a Terra não para. Tive lindos momentos dos quais sinto uma falta imensa. Tive momentos horríveis, que passaram e me ensinaram grandes lições. Ainda terei lindos e horríveis momentos. E preciso me conformar e esperar por ambos de braços abertos, ou nenhum vai chegar.
Eu preciso encontrar um equilíbrio... Meu equilíbrio. Preciso me aceitar e voltar a aceitar o mundo, o ser humano. Preciso do meu lugar bom. Preciso dos meus sonhos com meus objetivos e necessidades. Preciso do meu refúgio com uma janela que fique de frente para o mundo real. Preciso lutar contra um pirata, mesmo sendo um. Preciso encontrar minha Terra do Nunca. Preciso de mim...

*A luz que acende o olhar - Debora Blando*

2 comentários:

  1. Ah adooorei, ficou lindo *-*
    E o texto tá muito boom!
    Parabéns gatinha (L) :*

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  2. ahhh, num sei o que comentar não. sei que achei beem triste D:

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