sexta-feira, 17 de junho de 2011

Da boca para fora

Fazemos por merecer. Essa frase para mim não tem sentido nenhum, pior que sentido, não tem lógica. Ultimamente as coisas no meu mundo andam de cabeça para baixo. Coisas boas e ruins acontecem a pessoas que não merecem. Vejo lágrimas em rostos que deveriam sorrir, e sorrisos em rostos que deveriam chorar. O mundo é injusto, eu sei, mas não consigo me conformar porque ainda preciso acreditar.

Como dói a certeza! Tudo o que eu queria nesse momento era que alguém chegasse pra mim e me falasse que estou completamente errada, equivocada. Tudo o que eu queria era não estar certa, que as coisas não fossem o que aparentam, que o que está por vir não fosse acontecer. Esse final que se arrasta e se prolonga e parece nunca chegar ao fim de verdade. Tenho medo porque sei o que está por vir. Como eu queria não saber!

Chega a ser hipocrisia desejar a inocência, mas os inocentes e perdidos parecem sofrer menos. Essa dor física que não passa, que dá a sensação de meus olhos três vezes maiores que o normal graças a uma pressão ocular que não existe, como se alguém cavocasse com uma faca sem ponta atrás da minha cabeça e batesse com um martelo sem parar nos ossos da minha face fazendo uma confusão tão grande que torna meu cérebro um líquido sem valor nenhum que escorre por trás de minha garganta e ao bater no meu estômago faz com que o mesmo se contorça para expulsar tal líquido pela boca. É estranho descrever, não parece real, mas juro que é isso que sinto. Não, não vai passar.

A desistência bateu em mim com tanta força que quase me derrubou. Olhar tudo aquilo e me perguntar porquê. Eu ainda não entendi e espero, de verdade, entender. E apesar disso tenho a certeza que sou uma das que mais sabe o que está fazendo. To começando a ficar desesperada, mas meu corpo está completamente adormecido e tomado pelas dores físicas que meu cérebro tenta distribuir pelo resto do corpo já que ele não pode mais suportar tudo sozinho. Não tenho dúvidas que estou mais forte, mas assim como um músculo muito trabalhado perde sua flexibilidade, estou cada vez mais dura e fria. Estarei me transformando enfim no mostro que já citei em meus contos?

Realmente... ninguém se importa! Porque quando juntos existe apenas uma verdade perante o que nossos olhos podem ver, mas separados... por que se importariam? Não interessa e eu também não me interesso. Nunca fugi tanto da solidão e nunca a senti tão de perto, ela nunca me perseguiu tanto. Me sinto completamente sozinha, porque estou. Tento disfarçar pulando de galho em galho em uma árvore que não pode me aguentar porque, enquanto perdida no meu mundo, esqueci de regá-la e adubá-la. Por reclamar tanto das mesmas pessoas perdidas em seu próprio mundinho minúsculo, fútil e inútil... estou me tornando uma delas.

Perdi a confiança e minha esperança está disfarçada de paciência, que é na verdade, a minha desistência por estar de mãos atadas e não poder fazer mais absolutamente nada, a não ser esperar. E aqui estou eu, me escondendo de pessoas que querem meu bem, atrás de uma tela enquanto lágrimas escorrem em segredo pelo meu rosto saudoso de um sorriso verdadeiro, espontâneo, sincero e sem motivo...


*Viva La Vida – Coldplay*