Eu sempre me questionei sobre que tipo de aquariana nata sou eu, que é tão clássica e gosta de coisas tão ultrapassadas. Eu digo, desde que tinha idade para começar a entender, que nasci na década errada. Tem aqueles que me conhecem e que dizem que eu tenho mente de velha. E muitas vezes é bem por aí que me sinto. E não to falando de maturidade, ou algo do tipo, do falando de deslocamento, e até de preconceito.
Sou extremamente cabeça aberta para algumas coisas, e extremamente antiquada para outras. Sou teimosa quando se trata de alguns conceitos. Inteligência, para mim, vai muito além de números em boletim quando se é mais jovem, ou números na conta bancária quando se é menos jovem. Inteligência, é algo ligado a bondade, a esperança, fé e inocência. Sim, porque hoje em dia, quem é inteligente sobrevive. E o que é sobrevivência? É egoísmo, é força, poder... Sério? Sério, mesmo? Eu sou muito é burra, com orgulho!
Podem me chamar de cult, de filosófica, de revolucionária sem causa, de hipócrita, mas procuro nem pensar no que o mundo – e o ser humano – está se tornando. É uma coisa mais absurda do que a outra. Gerações que se batem de frente é coisa antiga, mas acontece que antigamente uma geração demorava até vinte e cinco anos, hoje em dia uma geração não chega a durar uma década! Quantas pessoas cinco, seis anos, mais novas do que eu, tem a cabeça totalmente diferente. É outra cultura, outra educação e eu, para variar, me sinto a tia velha falando “no meu tempo não era assim”.
Pobre das próximas gerações que não viram Ayrton Senna correr, Mamonas Assassinas tocar, Power Rangers morfar, que não sabem a diferença (absurda) entre: Rá-tim-bum, Castelo Rá-tim-bum e Ilha Rá-tim-bum; Que não entendem a antiga disputa ElianaXXuxaXAngélica; Não sabem o que é “Alô, alô... Planeta Terra chamando...”, não sabem quem é Lucas Silva e Silva, ou “Cruj, cruj, cruj TCHAU!”; Não ouviram Padre Marcelo Rossi (Que é? Vai dizer que você não lembra?!); Não brincavam com o telefone, desligado, de Hugo; Não sabem da ciência pelos olhos do Dr. Beakmam; Não vislumbraram a adolescência com Confissões de Adolescente; Não aprontaram com Punky, a levada da breca; Não conhecem a cerimônia e o gosto do chocolate da Turma da Mônica; Não assistiram Caverna do Dragão, Pokemom, Digimon, Cavaleiros do Zodíaco; Que não tem ideia do que era os Trapalhões, os filmes da Xuxa, Sérgio Malandro – isso quando não juntava tudo isso – e não sabem da baixaria que era o Programa do Ratinho!; Não ouviram os absurdos que o grupo “É o Tchan” cantavam e o escândalo pornográfico e de baixo calão que foi o “Bonde do Tigrão” (Músicas de ninar, hoje em dia!); Não sabem qual era a função de um rebobinador numa locadora; Não ficaram na expectativa de ganhar o primeiro BEIJO no “verdade ou desafio” com DOZE anos; Não vão se achar “o máximo” porque vão sair pela primeira vez pro shopping só com as amigas, aos QUATORZE anos. A minha infância foi deliciosa! E talvez isso explique porque eu não quero crescer...
Assim como a geração de nossos pais se lamentam por não termos visto National Kid, Perdidos no Espaço, Batmam (Aquele com a roupa roxa!); Os Gatões de Razzard; Jornada nas estrelas, Os vingadores do espaço, Banana Split, The Monkeys, Sítio do Pica pau Amarelo (O verdadeiro, não aquilo que a globo tentou fazer...), Ultramam, Ultraseven etc.; Termos visto os grandes cantar: Elvis, Bob Marley, The Beatles, Elis, Raul, Cazuza etc.; Por não sabemos cantar, ou sequer diferenciar, Hino Nacional, Hino da Bandeira, Hino da Independência etc. (Tem gente que nem sabe que isso existe!); Que não sabemos o que é um professor com liberdade para educar e ser respeitado tanto quanto pai e mãe; Que não sabemos o que é caderno de férias (Sim, um caderno INTEIRO de lição para as férias!), e nem fazer conta sem uma calculadora (Pelo menos ainda sabemos a tabuada, a mulecada novinha, nem isso!); Por não precisarmos usar nossa imaginação para criar bonecas de espigas de milho e carrinhos de latinhas de sardinha (Hoje em dia, a Barbie vem com babá e advogado de divorcio!).
Assim como nossos avós se lamentam pelos nossos pais não terem aproveitado o cinema mudo; Não terem que cortejar nossas mães; E outras muitas lamentações. E sabe o que é triste de verdade? Saber que as próximas gerações também se lamentarão pelas gerações seguintes!
Será que é isso? O mundo sempre piorando enquanto procura melhorar? E se antes era tão melhor, porque não voltar a ser assim? Afinal, o que é liberdade de expressão, democracia, e tudo isso que os jovens de todas as gerações lutam e buscam incansavelmente? Será que, realmente, ganhamos mais do que perdemos?
E assim, chego a minha conclusão astrológica – depois de tanta volta e nostalgia – de que sou, sim, uma aquariana nata. Porque não só sou diferente dos outros, como sou diferente dos demais aquarianos. Meu lugar não é no futuro, é no passado! É no lugar que era permitido sonhar, onde existia “felizes para sempre”, e onde contos de fada não eram livros para fracos. Eu nasci na década errada, e meus filhos, e netos, e sobrinhos, e primos, também nascerão! Afinal, a grana do vizinho é sempre mais verde...
*Como os nossos pais – Elis Regina*