segunda-feira, 28 de junho de 2010
Poesia (Música e Letra by Marianna Soter)
Vou usar termos
Que me machuquem assim
Nem vou fingir que são banais
Os meus desejos
Já são lentos os meus dias
Não os preencho mais
Era tão fácil encontrar
Minha antiga paz
Eu sempre minto
Quando te digo
Que quero ficar só
Mesmo querendo eu não insisto
Em te levar comigo
Nesses momentos calmaria
Ou só encenação
Faço de mim uma mentira
E de você minha ilusão
E quando o tempo se fechar
Não vá lembrar de mim
Numa canção tardia
A vida passa e eu penso em
Poesia
Poesia
sábado, 26 de junho de 2010
Sabe...
Sabe aquele dia que você não acorda bem? Sabe quando tudo te dá vontade de chorar e sair gritando? Sabe quando nada mais parece fazer sentido e daí você coloca a culpa nas mais absurdas coisas? Sabe quando parece que você rema contra a maré? Sabe quando nada mais faz sentido? Nada MESMO?
Sabe quando você não consegue se entender mais e sente a falta desesperada de alguém que não vai voltar? Alguém que você nem quer que volte? Sabe quando você se sente um lixo e totalmente incapaz? Sabe quando você começa a pensar, imaginar coisas que você jamais teria coragem de falar? Sabe quando parece que o mundo tá girando e você tá só assistindo e não consegue girar junto com ele? Sabe quando você se pergunta por que faz as coisas? Sabe quando você acha que não faz mais diferença? Sabe quando você acha que se você sumisse não mudaria nada? Absolutamente nada?
Sabe quando você é nada? Sabe quando você não faz mais parte da vida de ninguém? Nem das pessoas que você mais ama? Nem da sua? Sabe quando você acha que elas não sabem mais que você as ama? Sabe quando você não tem tempo de dizer o quanto alguém é importante? Sabe quando você chora porque alguém falou que está com saudades? Sabe quando você se pergunta quem sentiria sua falta? Pra quem você faz diferença? Sabe quando você precisa de confete? Que digam que te amam?
Sabe quando você perdeu a confiança em você? E no outro? Sabe quando tem um buraco imenso no seu peito que nada nem ninguém tá conseguindo tampar? Sabe quando você tá se sentindo tão sozinha que você se identifica com uma música? Um livro? Uma história? E parece que é a única coisa no mundo que você tem?
Sabe quando você começa a invejar as pessoas que tem a coragem que você não tem? Sabe quando você tá sem saída nenhuma porque você tem medo? Sabe quando você quer se bater pra ver se acorda, mas não tem coragem? Sabe quando você quer se machucar por fora pra ver se a dor de dentro diminui? Mas não tem coragem? Porque é apavorada? Fraca? Inútil? Inútil... Sozinha, sem vontade e sem coragem... inútil...
*Cuida de mim - O Teatro Mágico*
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Em Busca da minha Terra do Nunca
Hoje não. Rezo todas as noites para ser menos egoísta que minha mãe, menos inocente que meu pai e ter mais sabedoria que ambos para não cometer os mesmos erros. Naquela época eu via acertos e hoje vejo, também e mais claramente, os erros. Eles ainda são meus heróis, mas são meus. Hoje entendo que o mundo precisa de muito mais.
Quando eu era pequena, acreditava nos contos de fadas, em castelos, príncipes, no bem e no mal, em família, nas pessoas, no ser humano. Naquela época eu já sabia que nem tudo era perfeito, claro. Meu pai, por exemplo, "trabalhava muito!". Eu sabia que um dia ia crescer, ia ser eu, como eles, eu podia ser heroína. Tinha tanta vontade que isso acontecesse rápido...
Crescer foi uma das piores coisas que já me aconteceu! O mundo se revelou cinza e o ser humano um animal. Tenho medo de ser um deles. De me tornar um animal, e não o herói. Eles me destruíram e me tornaram essa pessoa amarga, decepcionada, calejada. Hoje sou eu que trabalho muito. Hoje eu sou o mal, pisei em meus próprios castelos, decapitei meus príncipes, rasguei meus contos e não tenho tempo para meus heróis.
Preciso voltar a ser criança. Preciso voltar a ter fé, esperança e acreditar novamente que finais felizes existem. Talvez não como esperamos, queremos e desejamos...ou precisamos. Preciso me tornar uma adulta. Preciso arcar com minhas responsabilidades, levantar a cabeça e dar a cara a tapa sem medo de ser negada.
Mudanças sempre me fizeram muito mal e nem sempre elas eram ruins. Eu preciso aprender a lidar com elas. Tenho pessoas a minha volta que amo tanto que chega a doer. Tenho pessoas que desprezo tanto...que chega a enojar.
Não sou mais pequena e o mundo mudou de ângulo para mim. O tempo passa e a Terra não para. Tive lindos momentos dos quais sinto uma falta imensa. Tive momentos horríveis, que passaram e me ensinaram grandes lições. Ainda terei lindos e horríveis momentos. E preciso me conformar e esperar por ambos de braços abertos, ou nenhum vai chegar.
Eu preciso encontrar um equilíbrio... Meu equilíbrio. Preciso me aceitar e voltar a aceitar o mundo, o ser humano. Preciso do meu lugar bom. Preciso dos meus sonhos com meus objetivos e necessidades. Preciso do meu refúgio com uma janela que fique de frente para o mundo real. Preciso lutar contra um pirata, mesmo sendo um. Preciso encontrar minha Terra do Nunca. Preciso de mim...
*A luz que acende o olhar - Debora Blando*