quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Feliz Ano que já passou!

2012 só me faz querer ter mais esperança em 2013!! E se for para ano que vem passar perto do que foi esse ano, to na torcida pro 21 de dezembro!!

Ah... que ano horroroso!!! Eu já perdi tanto em tão pouco tempo... Ou estou mesmo ficando mais forte, ou estou virando uma pedra. Mas isso é mentira, eu sei que é! Meus sonhos andam me fazendo cobranças terríveis!

Eu me lembro do som, me lembro de acordar com a bexiga apertada, de escutar um barulho estranho. Me lembro de levantar e de ver a minha mãe... daquele jeito. Eu me lembro de pensar que era um pesadelo e que aquilo não podia estar acontecendo. Naquela época as coisas já estavam... Bem difíceis. Haha. No meu egoísmo eu segurei sua cabeça e falei “não faz isso comigo, não agora!”

Eu não sei lidar com a dor dos outros, eu não sei lidar com a preocupação dos outros, eu não sei lidar com o amor dos outros!! Mas chorar sozinha é tão ruim. Porque a gente só chora quando tem “ibope”, mas se você se vê tão só não tem porquê chorar. Mesmo que precise... e precise desesperadamente!

Ai como é difícil ficar sozinha nessa casa! Eu abro as janelas, eu ligo o rádio, as televisões, escuto meus programas no celular... Mas esse silêncio que fica no fundo é ensurdecedor!!

Eu não posso ficar sozinha, mas eu quero! Eu quero, porque eu quero sufocar e enterrar tudo isso que tá gritando aqui dentro. Minha incapacidade, meu fracasso sobre fracasso, meu egoísmo, minhas mentiras e principalmente minhas saudades. Saudades de pessoas que ainda nem foram, mas já as sinto tão distantes!
Porque as pessoas ainda acreditam em mim? Eu já não decepcionei o bastante? Já não magoei, já não provei a insensível que sou, já não errei o bastante? Porque ainda acreditam em mim? Não basta eu ter que ligar com as minhas próprias decepções, os meus próprios fracassos? To tão cansada de sentir o peso de algumas dependências! Porque ninguém vê e/ou entende que agora é a minha vez? Sou eu que preciso de colo, ser mimada, sou eu que preciso ser dependente agora!

Tudo mentira! O que eu queria era voltar a ser criança, cercada pelas asas de minha mãe quando ela ainda era a pessoas que eu mais admirava nesse mundo! Quero me esconder quando meu pai chegar em casa para me encontrar com um sorriso disfarçado no rosto e eu quero a minha inocência de volta, para acreditar nesse sorriso! Eu quero tudo que preciso aos meus pés, sem esforços, quero não me sentir culpada por não lutar.

Eu não quero mais lutar!!! Eu desisto!!! Eu quero desistir, eu quero esquecer, eu quero sumir, eu quero não sentir!!

Que tipo de menina eu sou? Do tipo mulher? Mentira! Sou menina mesmo... sonhos tolos e crenças idiotas! Eu ainda viro eu quando assisto sozinha uma comédia romântica. E eu sei que ainda sou só uma menina quando me pego sendo absolutamente feliz sendo só uma menina. Quando acredito, por minutos que seja, no amor e no para sempre. Nos finais felizes! Meu final feliz está tão longe... acho que nem existe. Não dá para ter tudo. Mas ter nada tá foda!

Eu sou tão infantil que eu só lembro de Deus, de rezar, dos meus amigos, desse blog... quando as coisas estão prestes a explodir. Quando as coisas estão ruins o bastante para eu pedir socorro. E eu peço socorro à tanto tempo! Um socorro mudo, calado, e disfarçado em um sorriso seguido de “relaxa, tá tudo bem!”.

To confusa, cansada, desenganada e empurrando minha vida com a barriga. E cansei de escrever...

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Simplesmente

Ultimamente eu não escrevo mais, apesar de achar que deveria. Ultimamente as dores doem menos, mas com mais frequência. E o choro é mudo. A risada é permitida, mas não acontece com naturalidade. Eu sinto uma disputa entre dois lados dentro de mim, mesmo sem saber que lados são esses. Eu não sei o que fazer, pra onde ir e começo a achar que to amando demais quem eu deveria amar com mais cuidado. Odiando demais pessoas que talvez sejam simplesmente diferentes demais de mim. Ou iguais demais a mim. 

Fico pensando nas oportunidades perdidas e não corro atrás das atuais. Eu passo muito tempo perdendo meu tempo! Eu não assumo quem sou, o que sinto e muito menos o que quero. Eu estou com nojo de viver em meio a tanto egoísmo, mas só porque assim não posso ser eu a egoísta. O que sinto é tão forte que sufoco para não tomar proporções tão assustadoras e perigosas. Mas sinto do mesmo jeito e ao sufocar monto uma bomba relógio dentro de mim.

Eu sinto uma revolta do mundo que não sei explicar. Uma raiva que não sei de quem. Um rancor que nem sei pra quê. Mas estão aqui, me ajudando a sufocar a dependência e o amor. Talvez isso não passe de uma revolta tardia da minha adolescência que foi tão tranquila. Ou talvez seja imaturidade... ou ainda a maturidade sendo renegada.

*Vou mandar pastar – 5 a Seco*

sexta-feira, 23 de março de 2012

Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente

Depois de tanto tempo sem escrever absolutamente nada, aqui vai um texto descaradamente de desabafo... e quer saber? Que se foda! Não quero ficar preocupada se o texto ficará bem montado ou bem organizado, eu só quero colocar para fora, cuspir e vomitar o que meu estomago não consegue mais digerir.

Eu me pego fazendo as mesmas perguntas a mim mesma todos os dias. Em que me transformei? Quem sou eu? Eu sou isso, ou estou mentindo a tanto tempo que estou começando a acreditar nas minhas próprias mentiras? Acho que eu sou forte e delicada ao mesmo tempo. Acho que eu me forço tanto a ter responsabilidades e arcar com as consequências de minhas escolhas e atos que, ultimamente, não consigo mais dar conta e isso... isso me deixa decepcionada e com nojo de mim mesma! Está tudo tão fora de controle. O que eu vou fazer da minha vida? O que eu vou ser?

A minha presença não é algo agradável, e não adianta me dizerem que não é isso. Ninguém quer ficar perto de alguém tão perdida e tão amarga, pessimista. E eu entendo, juro! E o que mais me perturba é que eu não consigo me esforçar para deixar de ser isso, nem sei se quero... Eu ouvi tantas vezes em minha vida que eu não posso exigir que os outros tenham a mesma maturidade que eu, a mesma cabeça que eu. Eu cresci ouvindo isso dos meus pais, professores, orientadores, psicólogos, amigos, enfim. E agora? Porque agora exigem de mim maturidade, cabeça no lugar, equilíbrio, bom senso? Eu só quero me jogar no chão e chorar igual uma criança no meio do supermercado que quer muito um brinquedo caro. E alguém que fale, como se tudo fosse muito simples, que eu posso fazer isso, que eu tenho esse “direito”, alguém está disposto a aguentar as consequências junto comigo?

É fácil dizer “conte comigo”, são apenas duas palavras, não são complicadas. O que complica é a responsabilidade que vem com elas. E sabe quem está disposto a passar por tudo isso comigo, de verdade? Ninguém. E sabe quem eu estou disposta a perdoar, a poupar e a não julgar por me julgar e não “adivinhar” que eu preciso de paciência, calma, compreensão, carinho e amor agora? Ninguém.

Eu entendo aquelas pessoas que são “loucas” e entram com uma metralhadora em alguma escola e atiram para todos os lados sem se importar com quem será atingido. O que eles tem a perder? E porque eles são “loucos”? Eu entendo quem não aguenta o tranco e resolve se matar e foda-se quem precisa ficar... Eu os invejo! Sabe, é preciso ter muita coragem para ser egoísta desse jeito! Já pensou que incrível não ter consciência? Essa possibilidade me faz rir... Liberdade é isso? Não ter consciência, bom senso, respeito pelo próximo? Eu não consigo mais dizer que não! Que incrível seria fazer o que faz bem só pra mim e dane-se quem vou levar junto, em quem vou pisar. Eu queria, um único dia, ser assim. Talvez eu começasse a entender melhor o mundo...

Eu não quero ninguém dependendo de mim, eu quero depender dos outros agora e eu quero que eles me aguentem e que não reclamem... eu quero a compreensão, eu quase desejo a pena, de todos. Só pra ver se eu consigo ficar quietinha no meu canto, sem explicar porque estou triste, quieta, nervosa, decepcionada. Porque eu quero chorar... Eu não quero mais explicar porque eu estou! Para mim é tão óbvio. Os motivos são tão claros. Talvez porque eu seja a única pessoa que me conhece ultimamente... e olhe lá!

As dúvidas são tantas... eu tenho vontade de fugir de casa. Eu tenho vontade de terminar meu namoro. Eu tenho vontade de abandonar todo mundo. Eu tenho vontade de não trabalhar e de ser sustentada o resto da vida, porque é um saco trabalhar, mas é delicioso ter dinheiro. Eu tenho vontade de socar, para machucar mesmo, alguns rostos que eu tenho que aguentar sorrindo... coisa que meu rosto não faz mais! Eu quero perder todo mundo que eu tenho que perder, de uma vez! Bandeid... Bandeid é assim, tem que tirar de uma vez, porque vai ser uma dor só. Agora, tirar devagar pra não puxar a casquinha ou os pelos, é absurdo! A casquinha e os pelos vão sair do mesmo jeito, só que vai doer mais de for devagar. Mas também tenho dúvidas da minha capacidade para aguentar tudo em um único puxão. Eu quero perder todo mundo porque aí eu vou perder o porquê das coisas, as responsabilidades e a consciência, e aí eu vou ter coragem pra sumir também. Que alívio deve ser!

Mas sou fraca demais para isso, covarde demais... eu não me daria esse orgulho. Mas eu ficaria orgulhosa de mim, de uma única vez na vida, nem que fosse a última, jogar tudo pra cima sem pensar em mais nada! Mas do jeito que eu sou fudida, isso também deve ter consequências, em outro lugar, mas deve ter consequências. Eu vou sentir o alívio, mas depois vai vir o arrependimento, mesmo assim... Eu queria ser atropelada. Me jogar na frente de um caminhão, ainda é suicídio, né? Difícil pensar num jeito de alguém de suicidar...

Eu não quero mais brincar! Esse cansaço que eu to sentindo, não tem nada a ver com as minhas horas de sono! Eu quero tanto ter um lugar – só um – que eu seja bem-vinda, que eu não atrapalhe ninguém, e se puder acrescentar será melhor ainda. Eu quero colo, quero carinho, quero que me deixem chorar sem bufar e gritar em pensamento “que saco, quando isso vai acabar?”. É injusto mesmo, quando eu era uma pessoa super feliz, boba alegre, inocente, quando era tão fácil pisar em mim e eu nunca me magoava – até porque eu nem entendia porque me magoaria – eu era cercada de gente! Quando você é feliz, você atrai gente feliz! To ferrada...

E eu sou assim... eu escrevo e leio o que eu escrevo vinte vezes, e sabe quando eu sei que a coisa tá curada? Quando eu leio e não sinto mais vontade de chorar. Não acho que isso será logo... não mesmo! Eu li isso tudo e – Meu Deus – parece escrito por uma menina de 12 anos que está em faze de mudança hormonal! E daí tem um lado mãe meu, que tem cuidado de mim de forma bizarra, que pergunta “qual o problema?”. A minha vida toda eu fui madura demais, e se agora eu me transformar em imatura? E se agora eu me der o direito de ter meus 22 anos, de ser porra louca, jovem, revoltada e tudo aquilo que eu NUNCA fui? Que eu nunca me dei o direito de ser? E se agora eu quiser fazer merda pra chamar atenção, pra cuidarem de mim? Pra entenderem que eu to precisando que cuidem de mim?

Eu achava que estava ficando louca... eu já não tenho mais dúvidas! Eu tenho medo dos meus pensamentos e não sei mais do que sou capaz... Quantas pessoas sentiriam minha falta? Mas minha falta mesmo. Eu duvido que tenha uma alma viva que vá sentir falta de mim como e eu estou agora, que vá sentir falta de mim agora! Porque como já falei, fica fácil sentir falta de quando eu era feliz e contente, de quando eu cuidava de todo mundo, de quando eu sorria a toa... E se isso já passou? E se não voltar? Quem vai me querer assim? Nem eu me quero mais...

Incrível como quando as coisas apertam eu sempre recorro ao místico, talvez porque ele não exija a verdade absoluta, a certeza. Ele deixa espaço para o erro, o inserto, e por não acreditar cem por cento, nunca me decepciono. Afinal, “triste é uma sociedade que precisa de herói”, triste estou por precisar de um porquê tão desesperadamente e urgentemente. Cansada de errar e ser cobrada para não repetir tal erro, cansada de ter a responsabilidade de nunca poder decepcionar, de só orgulhar, acertar, compreender. Enfim, eu. Confusa e perdida. Completamente não eu!


*Best of You - Foo Fighters*

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Nostalgia

Eu sempre me questionei sobre que tipo de aquariana nata sou eu, que é tão clássica e gosta de coisas tão ultrapassadas. Eu digo, desde que tinha idade para começar a entender, que nasci na década errada. Tem aqueles que me conhecem e que dizem que eu tenho mente de velha. E muitas vezes é bem por aí que me sinto. E não to falando de maturidade, ou algo do tipo, do falando de deslocamento, e até de preconceito.

Sou extremamente cabeça aberta para algumas coisas, e extremamente antiquada para outras. Sou teimosa quando se trata de alguns conceitos. Inteligência, para mim, vai muito além de números em boletim quando se é mais jovem, ou números na conta bancária quando se é menos jovem. Inteligência, é algo ligado a bondade, a esperança, fé e inocência. Sim, porque hoje em dia, quem é inteligente sobrevive. E o que é sobrevivência? É egoísmo, é força, poder... Sério? Sério, mesmo? Eu sou muito é burra, com orgulho!

Podem me chamar de cult, de filosófica, de revolucionária sem causa, de hipócrita, mas procuro nem pensar no que o mundo – e o ser humano – está se tornando. É uma coisa mais absurda do que a outra. Gerações que se batem de frente é coisa antiga, mas acontece que antigamente uma geração demorava até vinte e cinco anos, hoje em dia uma geração não chega a durar uma década! Quantas pessoas cinco, seis anos, mais novas do que eu, tem a cabeça totalmente diferente. É outra cultura, outra educação e eu, para variar, me sinto a tia velha falando “no meu tempo não era assim”.

Pobre das próximas gerações que não viram Ayrton Senna correr, Mamonas Assassinas tocar, Power Rangers morfar, que não sabem a diferença (absurda) entre: Rá-tim-bum, Castelo Rá-tim-bum e Ilha Rá-tim-bum; Que não entendem a antiga disputa ElianaXXuxaXAngélica; Não sabem o que é “Alô, alô... Planeta Terra chamando...”, não sabem quem é Lucas Silva e Silva, ou “Cruj, cruj, cruj TCHAU!”; Não ouviram Padre Marcelo Rossi (Que é? Vai dizer que você não lembra?!); Não brincavam com o telefone, desligado, de Hugo; Não sabem da ciência pelos olhos do Dr. Beakmam; Não vislumbraram a adolescência com Confissões de Adolescente; Não aprontaram com Punky, a levada da breca; Não conhecem a cerimônia e o gosto do chocolate da Turma da Mônica; Não assistiram Caverna do Dragão, Pokemom, Digimon, Cavaleiros do Zodíaco; Que não tem ideia do que era os Trapalhões, os filmes da Xuxa, Sérgio Malandro – isso quando não juntava tudo isso – e não sabem da baixaria que era o Programa do Ratinho!; Não ouviram os absurdos que o grupo “É o Tchan” cantavam e o escândalo pornográfico e de baixo calão que foi o “Bonde do Tigrão” (Músicas de ninar, hoje em dia!); Não sabem qual era a função de um rebobinador numa locadora; Não ficaram na expectativa de ganhar o primeiro BEIJO no “verdade ou desafio” com DOZE anos; Não vão se achar “o máximo” porque vão sair pela primeira vez pro shopping só com as amigas, aos QUATORZE anos. A minha infância foi deliciosa! E talvez isso explique porque eu não quero crescer...

Assim como a geração de nossos pais se lamentam por não termos visto National Kid, Perdidos no Espaço, Batmam (Aquele com a roupa roxa!); Os Gatões de Razzard; Jornada nas estrelas, Os vingadores do espaço, Banana Split, The Monkeys, Sítio do Pica pau Amarelo (O verdadeiro, não aquilo que a globo tentou fazer...), Ultramam, Ultraseven etc.; Termos visto os grandes cantar: Elvis, Bob Marley, The Beatles, Elis, Raul, Cazuza etc.; Por não sabemos cantar, ou sequer diferenciar, Hino Nacional, Hino da Bandeira, Hino da Independência etc. (Tem gente que nem sabe que isso existe!); Que não sabemos o que é um professor com liberdade para educar e ser respeitado tanto quanto pai e mãe; Que não sabemos o que é caderno de férias (Sim, um caderno INTEIRO de lição para as férias!), e nem fazer conta sem uma calculadora (Pelo menos ainda sabemos a tabuada, a mulecada novinha, nem isso!); Por não precisarmos usar nossa imaginação para criar bonecas de espigas de milho e carrinhos de latinhas de sardinha (Hoje em dia, a Barbie vem com babá e advogado de divorcio!).

Assim como nossos avós se lamentam pelos nossos pais não terem aproveitado o cinema mudo; Não terem que cortejar nossas mães; E outras muitas lamentações. E sabe o que é triste de verdade? Saber que as próximas gerações também se lamentarão pelas gerações seguintes!

Será que é isso? O mundo sempre piorando enquanto procura melhorar? E se antes era tão melhor, porque não voltar a ser assim? Afinal, o que é liberdade de expressão, democracia, e tudo isso que os jovens de todas as gerações lutam e buscam incansavelmente? Será que, realmente, ganhamos mais do que perdemos?

E assim, chego a minha conclusão astrológica – depois de tanta volta e nostalgia – de que sou, sim, uma aquariana nata. Porque não só sou diferente dos outros, como sou diferente dos demais aquarianos. Meu lugar não é no futuro, é no passado! É no lugar que era permitido sonhar, onde existia “felizes para sempre”, e onde contos de fada não eram livros para fracos. Eu nasci na década errada, e meus filhos, e netos, e sobrinhos, e primos, também nascerão! Afinal, a grana do vizinho é sempre mais verde...


*Como os nossos pais – Elis Regina*

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Afinal, amar ao próximo é tão demodê

Quando retiraram as bases do meu mundo ele estava lá comigo, me segurando. Ele abriu os vidros e mandou que eu gritasse. Foi ele que gritou comigo. Quando eu quase fiquei louca, enquanto chorava, gritava e urrava de dor, era ele que estava segurando minha mão e escondendo meu celular. Quando nada passava pela minha garganta e meu corpo se recusava a receber alimento, foi ele que me colocou dentro do carro, desceu a serra enfrentando pedágio, trânsito, acidente e comboio na esperança de me fazer beber um chocolate quente. Todas as vezes que meu corpo sedeu a mente, foram os braços dele que me seguraram. Ele enxugou minhas lágrimas, riu dos meus tombos, riu da minha risada, me colocou em roubadas e fugiu delas junto comigo, me xingou, me abraçou, brigou comigo e me elogiou. Ele foi o único que nunca saiu do meu lado e que nunca me abandonou, mesmo eu tendo decepcionado ele, mesmo eu não escutando ele... ele foi o único que nunca abriu mão de mim!

E que tipo de pessoa seria eu se abrisse mão dele? Ele é muito mais que um amigo, porque é meu irmãozinho, meu anjo da guarda. E eu serei a dele! E ninguém tirará isso de nós e muito menos poderá entender. Pensar que não terei seu olhar de apoio – tão conhecido desde muito tempo – antes de entrar em cena me dói, mas sei que ele estará comigo mesmo assim. E eu estarei com ele! Ele me orgulha como poucos e me faz feliz. Ele me faz sorrir, nem que seja de raiva e de tanto que me irrita... ele é meu porto-seguro!

Ele conseguiu sair desse ninho de cobras peçonhentas, ocupadas demais com suas vidas e seus sonhos. Sinto nojo de todos e desejo o mal de cada um, e assim, desejo o mal de mim mesma. Eu duvido que muitos ali dentro sejam capazes de fazer algum dia, por alguém, o que ele fez por mim. O mistério está desvendado, foi fácil admirar como a maioria se torna a minoria e (se) perde. Palavras não cumpridas e a coragem que se vai com o simples soprar de um ventinho. Eu o invejo. Porque não me levou junto? Que difícil vai ser sem você!

Eu sempre acreditei que quando todos a sua volta estão errados e você é o único certo, você só pode estar errado. Pois bem, eu serei a errada! Faço questão! Não me permito – mesmo porque não conseguiria nem tentando – alcançar tamanho nível de falsidade, interesse e egoísmo. Serei metralhada junto com minhas palavras e/ou meu silêncio, junto com minhas crenças, meus conceitos e principalmente junto com a minha lealdade e fidelidade por aqueles que amo e por aquilo que acredito.

Não tenho palavras para descrever o sentimento de impotência que nasce e cresce dentro de mim cada vez que escuto “com ele não se pode contar”. É como se a injustiça me sufocasse, tirando meu ar e junto minhas forças para lutar. Que tipo de pessoa sou que só consegue ficar quieta e não lutar cada vez que meus ouvidos são obrigados e engolir certas palavras? Acho que no fundo sou parte de ninho onde não há chances de existir o “nós”, apenas o “eu”, e que o mais forte sobreviva. Eu me recuso. Se eu pude sobreviver sendo a “idiota apaixonadinha”, que agora eu seja a “idiota amiguinha”!


*Baader-Meinhof Blues – Legião Urbana*