terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Afinal, amar ao próximo é tão demodê

Quando retiraram as bases do meu mundo ele estava lá comigo, me segurando. Ele abriu os vidros e mandou que eu gritasse. Foi ele que gritou comigo. Quando eu quase fiquei louca, enquanto chorava, gritava e urrava de dor, era ele que estava segurando minha mão e escondendo meu celular. Quando nada passava pela minha garganta e meu corpo se recusava a receber alimento, foi ele que me colocou dentro do carro, desceu a serra enfrentando pedágio, trânsito, acidente e comboio na esperança de me fazer beber um chocolate quente. Todas as vezes que meu corpo sedeu a mente, foram os braços dele que me seguraram. Ele enxugou minhas lágrimas, riu dos meus tombos, riu da minha risada, me colocou em roubadas e fugiu delas junto comigo, me xingou, me abraçou, brigou comigo e me elogiou. Ele foi o único que nunca saiu do meu lado e que nunca me abandonou, mesmo eu tendo decepcionado ele, mesmo eu não escutando ele... ele foi o único que nunca abriu mão de mim!

E que tipo de pessoa seria eu se abrisse mão dele? Ele é muito mais que um amigo, porque é meu irmãozinho, meu anjo da guarda. E eu serei a dele! E ninguém tirará isso de nós e muito menos poderá entender. Pensar que não terei seu olhar de apoio – tão conhecido desde muito tempo – antes de entrar em cena me dói, mas sei que ele estará comigo mesmo assim. E eu estarei com ele! Ele me orgulha como poucos e me faz feliz. Ele me faz sorrir, nem que seja de raiva e de tanto que me irrita... ele é meu porto-seguro!

Ele conseguiu sair desse ninho de cobras peçonhentas, ocupadas demais com suas vidas e seus sonhos. Sinto nojo de todos e desejo o mal de cada um, e assim, desejo o mal de mim mesma. Eu duvido que muitos ali dentro sejam capazes de fazer algum dia, por alguém, o que ele fez por mim. O mistério está desvendado, foi fácil admirar como a maioria se torna a minoria e (se) perde. Palavras não cumpridas e a coragem que se vai com o simples soprar de um ventinho. Eu o invejo. Porque não me levou junto? Que difícil vai ser sem você!

Eu sempre acreditei que quando todos a sua volta estão errados e você é o único certo, você só pode estar errado. Pois bem, eu serei a errada! Faço questão! Não me permito – mesmo porque não conseguiria nem tentando – alcançar tamanho nível de falsidade, interesse e egoísmo. Serei metralhada junto com minhas palavras e/ou meu silêncio, junto com minhas crenças, meus conceitos e principalmente junto com a minha lealdade e fidelidade por aqueles que amo e por aquilo que acredito.

Não tenho palavras para descrever o sentimento de impotência que nasce e cresce dentro de mim cada vez que escuto “com ele não se pode contar”. É como se a injustiça me sufocasse, tirando meu ar e junto minhas forças para lutar. Que tipo de pessoa sou que só consegue ficar quieta e não lutar cada vez que meus ouvidos são obrigados e engolir certas palavras? Acho que no fundo sou parte de ninho onde não há chances de existir o “nós”, apenas o “eu”, e que o mais forte sobreviva. Eu me recuso. Se eu pude sobreviver sendo a “idiota apaixonadinha”, que agora eu seja a “idiota amiguinha”!


*Baader-Meinhof Blues – Legião Urbana*

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