domingo, 31 de outubro de 2010

Trechos da "Minha Carta"

Carta escrita por mim, para mim, em dezembro de 2008.

“Oi,

Não sei como começar e nem sei porque estou preocupada com isso, sendo que minha intenção não é de mostrar isso para ninguém! Ou não. É para simplesmente escrever e colocar em algum lugar tudo que está se passando, o que está me incomodando, pois sinto que isso atualmente é de interesse, único e exclusivamente meu!
O que eu sinto ou deixo de sentir, sinto que perdeu a importância a muito tempo... sinto que estou me dedicando demais a pessoas erradas e de menos a pessoas certas. Sinto que deveria me dedicar mais a mim mesma! Sinto que preciso de um tempo na frente do espelho comigo pra colocar minha vida nos trilhos novamente, mas sinto ao mesmo tempo que não posso fazer isso, pois sou fraca, infantil e tola.Tenho tanto medo de ficar sozinha para fazer isso, quanto não fazer. Me sinto confusa e odiosa com tanto “sentir”.
(...)Meus princípios estão de mãos dadas com meu orgulho, mas meu desejo parece que atravessou a rua. Me pego fazendo coisas que eu sempre julguei nos outros. Chamando-os de tolos e indecisos. Meros covardes imbecis. Talvez nem tanto. As coisas mudam e se tornam sem importância perto de outras que não consigo lembrar como era viver sem! Mas será que está tão errado assim eu mudar a minha forma de pensar? Não sei, meu orgulho anda falando que sim! O estranho é que o próprio orgulho, nunca foi de fazer diferença na minha vida.(...)
Será que minha amizade faz diferença? Será que eu faço diferença? E se eu morrer? Quem será que vai no meu enterro? Será que alguém vai chora por mim? E vai sentir minha falta ao ponto de querer morrer também? (...) Chega a ser cômico o modo como todos a minha volta andam tão sem sorte.
Talvez eu seja um imã, talvez o pensamento negativo esteja em mim de tal maneira que nem eu mesma noto! Talvez a minha vida ganhe uma continuação, talvez eu possa um dia ler isto e rir ao invez de chorar, talvez um dia ao ler eu não me reconheça, talvez eu sinta que cresci, a trampos e barrancos, mas cresci.(...)Uma criança, um alguém mentindo pro tempo, ou só o ignorando...
Me pego pensando e desejando coisa horríveis! Eu não tenho mais paciência, eu não tenho mais saco. Queria, eu quero, a morte de pessoas que são do meu sangue. E isso é horrível, é vergonhoso, é deprimente, é selvagem, é exatamente... o que eu sinto! Como pode existir tanta maldade ao nosso redor, onde a gente vive, onde a gente nasce e cresce sem notar? Porque não nascer já odiando quem merece? Porque dói tanto odiar alguém que um dia a gente amou, e amou muito, e quis o bem, e a felicidade? Porque essas pessoas nos fazem mal? Fazem mal a quem a gente ama? Será que um dia elas me amaram? Mesmo? Assim, de verdade, como eu as amei?
Porque agora é tão difícil confiar em alguém? Porque eu não consigo mais me sentir feliz? Porque eu não posso mais me sentir completa? Porque eu não consigo encostar a cabeça no travesseiro e dormir bem? Quando será que a minha vida vai voltar ao normal? Quando será que vou voltar a ser feliz? A dormir... a amar... a me sentir amada... a importar... me sentir importante... quando será que alguém vai poder ler isso e me entender? Quando eu vou encontrar alguém que valha a confiança, que valha a pena? Eu vou encontrar? Essa carta vai acabar? Ou ela vai ter continuação? Ou, vai ser como a minha vida está agora, pela metade, sem fim, sem sentido, sem mais nem porque... “

Ainda choro... ainda me identifico... As coisas mudaram, as pessoas mudaram, mas talvez eu não tenha mudado junto porque ainda sinto grande parte igual. Vazia. A lembrança dessa carta me veio com força hoje. O motivo de sua escrita também. A vontade também, mas no que isso ajudaria? Eu magoaria mais ainda quem já magoei. Abandonaria mais quem abandonei. Já que o mundo não pode parar para que eu possa descer, que eu possa rodar junto e que a tontura me tire a dor.

“Amo sempre a pessoa errada. Sou sempre a pessoa errada de alguém.”

Só quero meu lugar. Quero me achar e me sentir bem. Quase desejei ser surda, cega... Não dormi... suei... chorei... me contorci... sangrei. Chega. Eu não mereço isso! Foi minha ultima tentativa... Minha última chance.

Sentimentos meus, para mim, em outubro de 2010.


*Paz do meu amor – Luiz Vieira*
*Não quero dinheiro, só quero amar – Tim Maia*
*Bandeira branca – Dalva de Oliveria*

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