segunda-feira, 16 de agosto de 2010

8 (20) anos de coisas...

Um dia a gente percebe que tanta coisa foi jogada em baixo do tapete que acabamos tropeçando no monte de sujeira coberto. E levantando e deixando a sujeira a mostra percebemos que algumas delas já deveriam ter saído dali a muito tempo. Eu não sei porque, nem sei como. Do que eu tenho tanto medo? Alguém pode me dizer? Por que essa agonia e esse aperto no meu coração não vai embora? É horrível, ao mesmo tempo que é bom. É desesperadouro ao mesmo tempo que me dá adrenalina pra querer um novo dia. Eu não vejo a hora que isso pare , mas tenho medo que acabe. Quem sou eu que vive se contradizendo agora?

Preciso ter coragem e paciência para colocar todos os pingos nos "i's". Para me achar de novo e sair do "só por hoje". Para voltar a ser eu. Preciso faxinar minha vida, faxinando minha casa, meu quarto, minhas gavetas, meus papeis, minhas escolhas, minha mente, minha alma, e principalmente, meu coração. To precisando olhar um pouco pra dentro e ver toda essa podridão, encarar de frente e dar a cara a tapa, porque só assim, vou voltar a enxergar o lado de fora. Preciso voltar a me entender pra querer voltar a entender os outros. Preciso me dar valor pra dar valor a alguém. Preciso parar de planejar e começar a colocar em prática. Preciso para de depender e fazer o que está ao meu alcance. Por outro lado, até onde vai meu alcance? Aprendi quando pequena que meus direitos vão até onde começa os do outro. Tanta coisa que aprendi e era...mentira. Eu tenho o direito de estar com raiva, mais não tenho o direito de ser cruel. Até onde meu "alcance" não passa por cima de ninguém? Até onde eu consigo mentir e manipular as pessoas? Até quando vou continuar tentando ser a filha da puta que minha natureza nega? Até onde ela vai negar?

Por que eu não tenho coragem de olhar no espelho e falar e assumir o que eu acho?Por que estou com tanto medo de assumir algo que sei que, no fundo, não é verdade. Quem eu quero engana? Eu? Ele? Ela? Eles? Por que me faz tanto mal mentir, omitir e me dá tanto medo assumir. Será que eu ainda sei de quem eu to falando? Porque eu quero arruma rum culpado pra tudo isso? Por que eu me coloco na situação de vilã quando eu podia muito bem tá na situação de vítima? Por que eu odeio quando me tratam feito cristal se tudo que faço me parece agir como um? Os dias estão tão bons, e as coisas estão... certas.SOZINHAS. Parece que eu não mereço. Não to me esforçando pra tal. Isso me deixa confusa, sem controle. Se tá tudo tão bem, por que me sinto mal? Da onde vem esse pessimismo absurdo que me faz ficar esperando o que de tão ruim vai vir agora pra estragar tudo que tá tão...bom. Por que eu não consigo deixar de pensar, de imaginar se isso tá rolando só comigo? Por que eu tenho tanto medo de perguntar? E porque não cobrar? Será que eu já tenho o direito de cobrar?

Eu acredito em destino, sonhos, acredito em escolhas, ações e conseqüências. Descobri que um ano(dois, no caso) pode ser decisivo pro resto de nossas vidas!Que um amor pode mudar nossa alma. Que uma amizade pode mudar nosso destino. Que um simples conhecido pode mudar nossos conceitos. As coisas podem mudar e estou tão apegada a elas como são que me sinto como um depósito. São jogadas coisas e mais coisas e...nunca lembram de tirar nada. Eu preciso tirar. Preciso limpar da minha vida casos mal resolvidos, amizades desgastadas, pessoas não mais queridas. Gente que me magoa a cada dia, mesmo que seja por não dar sinal de vida. Ter paciência é tudo o que o destino tá me pedindo agora. Acho que é porque é tudo que eu tenho a oferecer agora. Sinto falta dos meus amigos, dos meus finais de semana, das minhas noitadas em um apartamento vazio, de jogatina, de morrer de rir de sono, de falar putaria sem nunca ter feito, de saber o que estou fazendo. Sinto falta de poder oferecer algo pra alguém. Sinto falta de mim! Da minha vida! Do meu tempo! E mesmo assim, eu sou feliz! Por que isso me assusta tanto? Por que é tão difícil deixar o passado lá atrás e o futuro lá na frente?

*É o que me interessa - Lenine*

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